
Usina de Reciclagem Integral de
Resíduos
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Com esse novo modelo institucional do setor
elétrico, tornou-se possível a produção de energia elétrica a partir do lixo com o
envolvimento da iniciativa privada e passaram a ser viáveis parcerias entre empresas e
prefeituras. E é muito significativa a contribuição que essa nova forma de se gerar
energia pode trazer. De fato, cada 200 ton/dia da fração orgânica dos resíduos
sólidos domiciliares permitem a implantação de uma Usina Termelétrica com a potência
de 3 MW, capaz de atender uma população de 30 mil habitantes. Isso quer dizer que, se a
fração orgânica (60%) de todo o lixo domiciliar brasileiro, que é da ordem de 120.000
ton/dia, fosse utilizada para produzir energia elétrica, poderíamos implantar Usinas
Termelétricas com potência significativa, cujo valor seria apreciável. Para as
indústrias, haveria um tríplice ganho: poderiam contar com uma fonte adicional e
permanente de suprimento de energia, tendo, potencialmente, uma alternativa adicional para
a disposição dos resíduos não perigosos que geram, além dos ganhos econômicos
decorrentes dessa nova forma de geração de energia e disposição de resíduos. |
| Para os municípios, a economia seria muito
grande. Seus gastos com a implantação e a operação de aterros sanitários seriam quase
inteiramente evitados. Além disso, seriam reduzidas as distâncias percorridas pelos
caminhões de coleta, outra forma importante de se economizar e, ao mesmo tempo, melhorar
o tráfego urbano. E tudo isso, sem a necessidade de investimentos por parte das
Prefeituras, uma vez que tudo poderia ser feito através de terceirização, pela
concessão dos serviços a empresas. As combalidas finanças dos municípios já não
suportam mais a pressão que os gastos com a coleta e a disposição de resíduos
representam: entre 5% e 12 % da arrecadação das prefeituras é utilizada para esse fim,
montante frequentemente superior à sua capacidade de investimento. Por isso, é
especialmente auspicioso o fato de que o retorno proporcionado pela exploração do lixo
é tão expressivo que chega a ser suficiente para aguçar o interesse do setor privado.
Os investimentos ficariam a cargo dos empresários, os quais poderiam se beneficiar da
possibilidade de vender a energia elétrica gerada e adubo de excelente qualidade, além
de poderem cobrar uma taxa pela recepção do lixo desde que em montante inferior
à economia que estivessem proporcionando às finanças municipais. Ademais, as vantagens
sociais são inequívocas. Além da geração de empregos, crianças e adultos que buscam
retirar dos lixões meios para subsistir, trabalhando em condições sub-humanas, poderão
passar a integrar cooperativas voltadas para uma atuação organizada e regular em
Centrais de Reciclagem Integral de Resíduos. |