Projeto transforma lonas descartáveis em peças de roupa

No conto de fadas, uma abóbora pode se transformar em uma carruagem e panos esfarrapados viram lindos vestidos. Mas, e se isso fosse possível? Pois, bem. Pode ser. Lembra daquela lona que cobria o show? Agora, ela pode ser uma bolsa, uma sandália ou um móvel arrojado para sua casa. Ontem, as designers Luciana Galeão e Márcia Ganem apresentaram algumas dessas peças. 

Confeccionadas dentro do Projeto Iaô Design, da Fábrica Cultural, cerca de 40 peças foram construídas com lonas descartáveis, entre outros materiais que, a princípio, não tinham valor. Eles foram transformados em peças assinadas por profissionais da moda. 

Segundo a diretora de Projetos da Fábrica Cultural, Teresa Carvalho, cerca de 200 profissionais participaram do projeto, desde que ele começou a ser gestado, há nove meses. “O desafio era montar coleções a partir de lonas plásticas, ortofônicas e banners de publicidade que são descartáveis, gerando aproveitamento de resíduos e inclusão socioeducativa de pessoas”, disse.

As peças foram expostas para artesãos, empresários e profissionais do mundo da moda na sede da cooperativa de tecelãs Coopertextil, no Pelourinho – responsável pela confecção de parte das peças – e na casa de Castro Alves, no Santo Antônio Além do Carmo. Um núcleo de carpinteiros também atuou na produção. 

Uma das preocupações da designer Luciana Galeão era que as peças fossem fáceis de vender. “Para um trabalho que envolve sustentabilidade, se ele não respeita esse ciclo, de ser ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, ele não faz sentido”, comentou. 

Entre as obras desenhadas pela artista estão bolsas, sandálias, almofadas e outros acessórios. Já a designer Márcia Ganem destacou o cuidado adotado com o material. “Todo processo de inovação exige cuidado. Então, foi feito um filtro na lona que bloqueia a perda de cor e evita que ela desbote quando estiver exposta ao sol, por exemplo”, ilustrou. 

Segundo Helio Tourinho, gerente de Relações Institucionais da Braskem, empresa que patrocina o Iaô Design, “o fato de ser um projeto inovador, usando o plástico como produto de moda, é importante e inovador”. 

Em setembro, será montada uma loja no Salvador Shopping para vender as peças. Até lá, mais pessoas serão empregadas na produção em grande escala, dando vida ao que não era nada, como num contos de fadas.

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