Mato Grosso é o 4º que mais tem lixão no Brasil
O programa Fantástico apresentou a
realidade revoltante de lixo hospitalar sendo jogado em lixões a céu
aberto em várias capitais brasileiras. Não se pode dizer que Mato Grosso
esteja fazendo o mesmo, mas, a julgar pela falta de aterros, uma
situação comprovada num estudo realizado em todo o País, constata-se que
na maioria das cidades mato-grossenses o destino do lixo produzido pela
população vai parar nos lixões a céu aberto. Esse fato colocou Mato
Grosso com o quarto pior índice de destinação do lixo no Brasil.
Conforme o estudo, os mato-grossenses produzem 2.989 toneladas de
resíduos sólidos por dia, sendo que 20% não são coletados. Do montante
recolhido, apenas 24,5% têm destinação correta nos aterros sanitários; o
restante vai parar nas ruas, lixões e córregos. Os municípios que
apresentam a situação mais crítica são Várzea Grande e Rondonópolis.
Todas as prefeituras do estado foram notificadas para se adaptarem ao
Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece 2014 como o ano
limite para que todas as cidades destinem o lixo para aterros sanitários
adequados.
De acordo com a nova legislação, a partir de 2014 os aterros terão de
ser sustentáveis e não poderão poluir, sendo que os planos de
gerenciamento dos resíduos devem ser elaborados até 2012 conforme prevê
o Plano Nacional. A nova lei de Políticas de Resíduos Sólidos distingue
resíduo (reaproveitável) de rejeito (não reaproveitável). Para Mato
Grosso, a caminhada para respeitar a lei será árdua. O Estado, com 141
municípios, possui 12 aterros sanitários, sendo que, deles, apenas oito
possuem licenciamento ambiental. “Com esses dados é possível presumir
que os demais municípios que não possuem aterro se utilizam de lixões
inadequados”, explica o engenheiro sanitarista, professor da
Universidade Federal de Mato Grosso, Rubem Mauro.
Para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, a situação parece ainda
pior do que imagina o professor. Segundo a coordenadora de Gestão de
Resíduos Sólidos da Sema, Solange Cruz, atualmente há apenas um
município com licença de operação para sistema de tratamento de resíduos
sólidos, mas que ainda não funciona. O Município em questão é Torixoréu
(560 km de Cuiabá). “Muitos entraram com requerimento de licenciamento
ambiental, mas deixaram suas licenças vencerem e outros operam como
lixões. Entretanto, todos os municípios foram notificados pela Sema”,
pondera a coordenadora da Sema.
Para o promotor de Meio Ambiente, Gerson Barbosa, não se pode perder de
vista que a tutela dos resíduos sólidos está intrinsecamente ligada à
questão ambiental. “A nova lei salientou essa circunstância, em diversos
dispositivos”, destaca Barbosa. A lei enfatiza, por exemplo, que a PNRS
tem como objetivos a proteção da saúde pública e da qualidade de vida; a
não geração; a redução; reutilização; reciclagem e tratamento dos
resíduos sólidos; a disposição final ambientalmente adequada dos
rejeitos; o desenvolvimento de tecnologias limpas para minimizar
impactos ambientais, entre outras exigências.
Barbosa acredita que os municípios devem criar condições para se
adequarem. Segundo ele, há notícias de que os municípios já estão se
organizando para o cumprimento da lei, por intermédio de consórcios
públicos. O consórcio (união de municípios e associações) pode ser
adotado por diversos municípios, o que facilitaria também na busca de
recursos junto aos governos federal e estadual. “Há notícias de que já
existem municípios interessados em formar esses consórcios”, pontua o
promotor.
Cuiabá pode realizar repactuação
A prefeitura de Cuiabá enfrenta uma ação judicial, já que não adaptou o
aterro sanitário às condições ideais para se obter o licenciamento
ambiental. Da ação surgiu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas o
acordo, firmado em 2009, ainda não foi cumprido. Barbosa informa que,
diante da desobediência, o melhor caminho é defender a contemplação da
nova lei. “O corpo técnico de Cuiabá e o prefeito Chico Galindo já deram
mostras de que é bem provável que seja atingido esse propósito”,
salienta.
A prefeitura de Cuiabá já formou uma equipe de trabalho com vistas a
discutir um projeto de gestão de resíduos sólidos. O grupo se reúne na
prefeitura todas as segundas-feiras.
Compartilhando responsabilidades
O Plano prevê também uma série de novidades não só para os
administradores, mas também aos consumidores e à indústria. Enquanto os
municípios devem receber incentivos para estimular a reciclagem,
fabricantes e distribuidores de pilhas, baterias, lâmpadas, produtos
eletroeletrônicos e óleos lubrificantes passaram a ser responsáveis pelo
recolhimento dos produtos usados.
Também está prevista a inserção social dos catadores, proposição de
incentivos tributários para as atividades voltadas para a reciclagem. A
ideia é conscientizar sobre a responsabilidade compartilhada.
Fonte: Simone Alves (Circuito Mato Grosso) |
 



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