Catadores se expõem a riscos
Sem proteção adequada, cerca de 20
famílias de Rolim de Moura se expõem diariamente ao risco de
contaminação de doenças no Lixão Municipal, localizado na Linha 180, km
01, nas atividades de reciclagem. Na tarde de quinta-feira, o cenário do
Lixão era uma grande nuvem de fumaça tóxica e alguns trabalhadores
coletando os materiais recicláveis em meio uma área queimada.
Sol, objetos cortantes e muita fumaça são alguns dos ímpetos enfrentados
pelos trabalhadores para conseguir um meio de sobrevivência. Hailton
Rodrigues de Oliveira, 36 anos, há quase 10 anos trabalha naquela área,
explica o que é separado para reciclagem e como funciona a atividade.
“Iniciei quando fui convidado pela prefeitura para cuidar da área, porém
fiquei esquecido por aqui, então decidi transformar o lixo em renda,
iniciando o trabalho de reciclagem. Aos poucos outras pessoas foram
chegando e ficando, resultando nesta quantia de catadores. Nós separamos
os plásticos, alumínio e ferro, o restante acaba sendo queimado”,
esclarece o catador, que utiliza luvas de plástico e botas para se
proteger dos riscos. Ele reconhece que somente esses materiais não são
suficientes para protegê-lo, mesmo assim continua atuando para conseguir
tirar cerca de R$700 por mês, dinheiro que serve para alimentar os três
filhos, ambos em idade escolar, e ele mesmo.
Material
Hailton revelou ainda que cada tipo de material tem seu valor e que uma
vez por semana uma empresa de reciclagem do município de Cacoal se
desloca até o Lixão para comprar plásticos, que são divididos em duas
categorias, filme (que são as sacolas plásticas) e pet. “A gente deixa
tudo separado, pronto pra coleta. Cada catador tem o seu cantinho para
recolher e aguardar a chegada do caminhão de Cacoal”, explana ele.
Segundo o catador, a empresa transforma a matéria em canos de PVC. O
quilo do material custa em torno de R$0,30.
Trabalho no lixo rende mais que serviço no lar
Ana Maria de Oliveira, 32 anos, catadora de lixo juntamente com seu
marido, contou à equipe do Diário que se desloca do bairro em que mora
(Planalto) duas vezes ao dia para trabalhar no Lixão, mas que a
alternativa era mais vantajosa do que trabalhar como empregada
doméstica. “Achei que aqui seria uma boa opção, pois financeiramente é
mais rentável. Como empregada doméstica tiraria menos de R$500, aqui eu
consigo muito mais. Dá pra pagar minhas continhas sem problema”, conta
ela com um sorriso no rosto. Para Ana, o único ponto que a magoa é que
suas filhas sentem vergonha da atividade dos pais. “Tenho duas meninas,
uma com 16 anos e a outra com 13, elas estudam no Cândido Portinari
(centro) e não revelam pra ninguém a nossa profissão, queria que tivesse
orgulho, mas o importante é que estão estudando pra ser alguém na vida”,
desabafa.
Segundo informações dos catadores, o caminhão da prefeitura despeja lixo
quatro vezes ao dia, sendo duas caçambas pela manhã e o restante no fim
da tarde. Fora os plásticos, o alumínio e o ferro são vendidos em ferros
velhos da cidade, por volta de R$0,20 o quilo. O papel continua sem
destino reciclável, por fim acaba sendo queimado.
Em relação ao Aterro Sanitário, o mesmo já tem uma área comprada pela
prefeitura, mas o projeto ainda não saiu do papel.
Fonte: Diário da Amazônia |
 



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