7,5% do lixo das casas de Joinville já é separado para reciclagem, mas é possível melhorar

Parece pouco, mas ainda assim é um avanço: Joinville quintuplicou o volume de lixo recolhido pela coleta seletiva nos últimos dois anos. Conforme dados da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Fundema), em janeiro de 2008, 1,5% de todo o lixo doméstico produzido na cidade era recolhido pelos caminhões da coleta seletiva. Índice que subiu para 7,5% registrados em maio e junho de 2010.

Significa que uma fatia das cerca de 9,5 mil toneladas de lixo doméstico produzidas em média por mês estão ganhando novo uso. Ainda assim, a cidade precisa melhorar.

Quando o tema é coleta seletiva, qualquer crescimento é boa notícia. Mas, para o gerente regional da concessionária do serviço de coleta de lixo urbano, Luiz Antonio Weinand, é preciso cautela na comemoração.

— A geração de lixo subiu cerca 5% nos últimos dois anos em Joinville e estima-se que 40% do lixo que chega ao aterro sanitário poderia ser reciclado.

O ideal, segundo ele, seria dobrar o atual índice da coleta seletiva pública.

— Nossa meta é reciclar pelo menos 15% do lixo. É o índice de cidades onde a coleta seletiva funciona muito bem, como São Paulo e Curitiba —, afirma.

A Fundema atribui o aumento do volume de lixo recolhido pelos caminhões da coleta seletiva, realizada pela empresa Ambiental, basicamente à conscientização dos moradores.

— As rotas da coleta são as mesmas, portanto dá para entender que a população está separando mais lixo —, justifica a gerente de desenvolvimento e gestão da Fundema, Stella Wanis.

Em 2008, afirma a Prefeitura, a rota da coleta seletiva passou a abranger toda a cidade. Desde então, o número de caminhões em serviço aumentou de três para cinco.

Para o engenheiro sanitarista da Fundema, Rafael Ribeiro, 7,5% é um bom percentual na realidade do Brasil, onde a média de reaproveitamento do lixo não ultrapassa 5%. Apenas 443 municípios (8%) possuem programas de coleta seletiva, que atendem a uma fatia de 12% da população (22 milhões de pessoas).

Em Joinville, Ribeiro ainda faz uma projeção bem otimista ao citar os reflexos do trabalho de catadores e de empresas que têm a política de reciclar lixo.

— Estimamos que o dobro [15% do lixo] acabe encaminhado à reciclagem.

Segundo ele, muitos moradores até separam o lixo reciclável do orgânico. Mas não disponibilizam para a coleta – pensam que a empresa privada é responsável por vender os recicláveis.

— O material vai para cooperativas de catadores. São pessoas de baixa renda que ganharam melhores condições de trabalho para separar e revender o material.

AINDA AJUDA A CRIAR EMPREGOS

Outro aspecto favorável do aumento do volume de lixo encaminhado para a reciclagem em Joinville é a geração de empregos. Atualmente, cerca de mil famílias de baixa renda trabalham na separação e na revenda dos materiais provenientes da coleta seletiva pública em cinco núcleos da Associação de Catadores Ecológicos de Joinville – três no bairro Paranaguamirim, um no Glória e outro na região do Rio do Ferro, no Aventureiro.

Mais dois núcleos estão sendo criados, afirma a gerente de desenvolvimento e gestão da Fundema, Stella Wanis. A previsão é de que entrem em operação ainda neste mês. Segundo Stella, serão instalados no Vila Nova e no limite entre Boa Vista e Itaum.

A Secretaria de Assistência Social está cadastrando pessoas que trabalham como catadores e poderão participar da cooperativa. Ainda não há número certo de trabalhadores que serão beneficiados.

LEI MANDA TODOS SEPARAREM

O que muita gente não sabe é que separar o lixo é um dever do cidadão que mora em Joinville, previsto em lei. Uma lei municipal de setembro de 2005 prevê que o joinvilense que não der destino correto ao lixo (o que inclui separar os materiais para a coleta seletiva), está sujeito à advertência e multa. O peso no bolso varia de 0,1 UPM (R$ 17,53) a dez UPMs (R$ 1.753,60).

— O valor varia de acordo com as circunstâncias: se o cidadão é reincidente ou não, o volume de lixo e o local onde foi deixado —, explica a gerente da Fundema Stella Wanis.

— No caso de empresas que cometerem irregularidades, a punição varia de advertência até interdição e cassação de alvará.

Condomínios também estão sujeitos à fiscalização e devem contar com uma lixeira diferenciada para o lixo reciclável.

Ator e diretor de teatro em Joinville, Luciano Fusinato, não só separa os recicláveis para a coleta seletiva como reutiliza grande parte do material que seria descartado como lixo. Pelas mãos dele papel, jornal, arames e latas ganham vida, através de bonecos, que transitam entre cenários, tudo feito do que alguém convencionou chamar de lixo.

— A raiz do trabalho tem ligação com a preservação do meio ambiente, com aproveitar melhor os recursos —, diz o artista.

Luciano destaca que mais importante do que reciclar é ser adepto de um consumo consciente e reduzir a geração de lixo.
 


Fonte:  Mariana Pereira (Diário Catarinense)