Capital recupera R$ 1 milhão e joga outros R$ 7 milhões fora
Das lixeiras de Florianópolis, foi
retirado o montante de R$ 1 milhão no ano passado. Não em espécie, mas
em latas de alumínio amassadas, papéis rasgados, embalagens plásticas e
pedaços de vidro. O valor é resultado da coleta seletiva recorde de 5,3
mil toneladas em 2009. Mas o potencial da indústria do lixo na Capital é
muito maior.
O material reciclado no ano passado representou 3,6% do total de
resíduos sólidos coletados na cidade. No Brasil, a taxa é de 12% e em
alguns países da Europa chega a 40%, incluindo a reciclagem de material
orgânico, pouco reaproveitado por aqui. Estimativa da Companhia
Melhoramentos da Capital (Comcap) indica que até 30% do lixo urbano de
Florianópolis poderia ser reciclado, o que transformaria o R$ 1 milhão
movimentando no ano passado em R$ 8 milhões.
Para isso, a prefeitura precisaria reforçar o sistema de coleta, as
associações de recicladores precisariam de mais pessoas trabalhando e de
novos compradores e, principalmente, a comunidade precisaria fazer a sua
parte, separando corretamente o material reciclável do lixo orgânico.
Hoje, o sistema de coleta seletiva da Comcap cobre 80% da cidade – estão
descobertas ruas de bairros como Rio Vermelho e Ingleses. Mas a maior
parcela da população ainda mistura o lixo seco com o orgânico, o que
inviabiliza o reaproveitamento dos recicláveis.
O material coletado pela Comcap é entregue para associações de
recicladores da região, que separam os resíduos e revendem para
indústrias de reciclagem. Mas quando o papel, o plástico, o metal e o
vidro são jogados fora junto ao lixo normal, tudo vai para o aterro de
Biguaçu, onde o material é enterrado, sem qualquer reaproveitamento. Por
mês, a prefeitura gasta R$ 1 milhão para enterrar o lixo de
Florianópolis em Biguaçu. Ou seja, quanto mais se reciclar, mais
dinheiro público será poupado. Em 2009, a economia gerada com a
reciclagem foi de R$ 500 mil.
A coleta seletiva foi implantada em Florianópolis há 15 anos. Até 2009,
o sistema concorria com o trabalho dos catadores ambulantes. Diante dos
transtornos no trânsito, desde março do ano passado a prefeitura proíbe
a presença de catadores com carrinhos no centro da cidade, o que
impulsionou a coleta pelos caminhões oficiais.
A retomada gradativa da valorização dos preços dos produtos recicláveis,
que estiveram em baixa durante o cenário de crise financeira
internacional, foi outro fator que favoreceu o crescimento. E o cenário
parece continuar otimista. Em janeiro, até o dia 23, foram recolhidas
543 toneladas de material reciclável – quantidade que só perde para
dezembro do ano passado.
Diante da atual estrutura o diretor de operações da Comcap, Wilson
Cancian Lopes, acredita que a média mensal de material reciclado deve
estabilizar em 500 toneladas. Para passar disso, é preciso investimento
no sistema de coleta e nas associações de recicladores.
Hoje, a estrutura da Comcap conta com pessoal e equipamentos exclusivos
para a coleta seletiva. Dos 51 caminhões que integram a frota, sete
trabalham no recolhimento de recicláveis. Dos 230 garis, 40 estão na
coleta seletiva. A vaga no setor é uma espécie de promoção para
funcionários antigos, já que o lixo reciclável é mais leve e menos sujo.
Para o presidente da Comcap, Ronaldo Freire, o grande desafio é
conquistar a maior participação da população no processo. Ele diz que a
prefeitura estuda calcular a taxa de lixo (hoje paga junto com o IPTU)
de acordo com a produção de lixo de cada unidade comercial, cobrando
mais daqueles que produzem mais lixo. Assim, quem separa o material
reciclável, pagaria menos.
Além de economia para a prefeitura, da renda para os recicladores e da
matéria-prima para as indústrias, o processo de reciclagem do lixo gera
um benefício que não se reflete diretamente em números financeiros: a
preservação ambiental. E nesta etapa do processo todo mundo sai
ganhando.
Fonte: Alexandre Lenzi (Diário Catarinense) |
 



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