Em Capitão, só há coleta de lixo seco
Os moradores de Capitão, no Vale do
Taquari, estão sendo obrigados a dar um destino diferente para o lixo
orgânico que produzem. Isto porque o caminhão da prefeitura deixou de
circular pela cidade para recolher os resíduos produzidos pelos
moradores da área urbana do município de 2,5 mil habitantes.
A prefeitura decidiu cancelar o recolhimento para economizar, já que
gastava cerca de R$ 6 mil com o transporte do lixo. A maior parte dos
gastos era com o aluguel de um contêiner e o contrato com uma empresa
que aterrava o material em Minas do Leão.
– Estamos recolhendo só o lixo seco, que será reciclado aqui mesmo.
Entendemos que os próprios moradores podem dar um destino para esses
restos orgânicos. Além disso, é uma forma de preservarmos o nosso
ambiente – diz o prefeito Jari Hunhoff (PP).
Como forma de orientar a população sobre a mudança, a prefeitura fez uma
campanha com agentes comunitários em todas as casas da cidade. Os
profissionais orientaram os moradores sobre o novo sistema de coleta e a
forma correta de fazer a reciclagem.
Apesar de econômica, a mudança está longe de ser unanimidade no
município de vocação agrícola.
– Sabemos que toda a mudança é impactante, mas não vamos deixar de fazer
algo positivo pela cidade por isso. É preciso que as pessoas se adaptem
ao novo sistema – defende Hunhoff.
O vereador Márcio da Costa (PMDB), 46 anos, acredita que a reciclagem é
importante, mas que, em especial, os comerciantes serão prejudicados com
a falta da coleta.
– A forma como a regra foi imposta, não está certo. Quem não tem onde
colocar o lixo vai fazer o quê? É um dever da prefeitura recolher o lixo
da população – afirma Costa.
Para Lúcia Landmeier, 52 anos, a medida não foi um problema, pois em sua
casa o lixo produzido na cozinha já tinha uma função: adubar as plantas
da horta nos fundos da casa.
– Eu sempre fiz isso. Acho muito importante – diz Lúcia.
Além de ensinar os filhos, ela ainda recebe em sua composteira – local
onde o lixo é transformado em adubo – o lixo de uma vizinha.
– Na farmácia onde eu trabalho não há um local adequado, então eu trago
todos os dias para cá – diz Elisângela Fachini Dutra, 23 anos.
– Se eu posso dar um destino certo para o meu lixo, por que não fazer –
afirma Lúcia.
Fonte: Letícia Mendes (Zero Hora) |
 



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