Cooperativas reclamam de falta de incentivo
Enquanto a Prefeitura de Maringá se
envolve numa batalha judicial para dar destino a cerca de 300 toneladas
diárias de lixo produzidas pelos maringaenses, a coleta seletiva, que
poderia ajudar a resolver o problema, enfrenta dificuldades.
Uma das seis cooperativas de materiais recicláveis, criadas entre 2001 e
2005, já fechou as portas e as demais patinam. Os catadores que
continuam trabalhando reclamam da faltam de caminhões e do não
cumprimento de uma lei de incentivos, aprovada e promulgada pela Câmara
neste ano, que poderia ajudá-los.
De acordo com os catadores, a situação se agravou a partir da crise
econômica, no final do ano passado. As empresas que compram o material
reduziu os preços. Neste mês, o preço médio da sucata está 52% menor
ante o mesmo período do ano passado. Na mesma comparação, o papelão caiu
48%, as garrafinha 25% e o PET, 33%. “Estes quatro tipos de materiais
representam metade do total vendido mensalmente pelas cooperativas”,
contam os trabalhadores.
De outro lado, as empresas compradoras dizem que não podem fazer nada.
Segunda elas, as indústrias estão usando menos matéria-prima reciclada
porque os barracões estão lotados.
Proposta
Para a psicóloga Talita Coelho, do Programa Multidisciplinar de Estudos
e Pesquisas sobre o Trabalho e os Movimentos Sociais (Núcleo Unitrabalho),
da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a solução para ambos os
problemas poderia partir da prefeitura.
“A proposta é atribuir às cooperativas e associações a coleta seletiva
em toda a cidade. A remuneração será definida pelo valor de mercado e a
prefeitura também poderá ceder, durante a vigência do contrato,
instalações e equipamentos para que as cooperativas processem os
materiais recolhidos”.
Segundo ela, cidades como Belo Horizonte e Brasília já adotaram sistema
semelhante. Talita diz que entre 60 e 70% do lixo produzido na cidade é
reciclável e que sobraria menos de 100 toneladas diárias para serem
encaminhadas ao lixão, para compostagem. “De outro lado, com a
prefeitura subsidiando o trabalho, os catadores deixariam de depender do
mercado comprador de recicláveis”.
Para que a prefeitura pudesse repassar a coleta seletiva às
cooperativas, em março a Câmara de Vereadores aprovou uma lei, de
autoria do vereador Humberto Henrique (PT), que nem chegou a ser
sancionada pelo prefeito. Segundo Talita Coelho, para manter a coleta
seletiva a administração municipal aluga três caminhões que se revesam
no atendimento às cinco cooperativas. “O número de caminhões é
insuficiente para a realização do trabalho e muitos estão desistindo de
recolher o lixo reciclável, gerando reclamações da população”.
Os cooperados da Coopermaringá, por exemplo, contam que já desistiram de
atender a Vila Morangueira, Vila Operária, Parque das Grevíleas e
Aeroporto. “O caminhão lota antes do término da rota e não dá pra passar
de novo. Então, agora a gente só passa nas zonas 2, 4 e 5”, diz um
cooperado.
A Cooperpalmeira só atende dois bairros: Jardim Tarumã e Conjunto Cidade
Alta. A Coopercanção, passa no Parque da Gávea, Vila Bosque, Jardim Novo
Horizonte e Vila Emília. Apenas a Coopernorte informou que continua com
sua rota normal, recolhendo material da Vila Esperança, Zona 7, Jardins
Copacabana, Quebec, Alvorada, Liberdade, Karina, Oásis Ebenezer,
Mandacaru e Pinheiros, Parque Laranjeiras, Conjunto Hermmas Moraes de
Barros, Vila Nova, Residencial Tuiuti e os órgão públicos.
Fonte: Edmundo Pacheco (O Diário do Norte do Paraná) |
 



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