O papel da embalagem no meio ambiente
As mudanças climáticas do planeta têm
assustado a população mundial. Prova disso é que parte da sociedade já
se conscientizou dos problemas presentes no meio ambiente e, como não
poderia deixar de ser, as embalagens fazem parte desse cenário.
Independentemente do tamanho ou peso, a embalagem pode ser instrumento
cruel na destruição do meio ambiente e, simultaneamente, na saúde do
consumidor. Estudo recente realizado pelo Centro de Pesquisa e
Desenvolvimento de Embalagens, Cetea, revelou o tempo de degradação e o
impacto de alguns tipos de embalagens no meio ambiente. Segundo a
pesquisa, em todos os campos experimentais em que as embalagens foram
avaliadas, a lata de aço foi a embalagem que apresentou maior evolução
no processo de degradação.
Segundo dados do Prof. Dr. da USP Sabetai Calderoni, a lata de aço leva
em média cinco anos para se degradar totalmente, enquanto o alumínio e o
PET, por exemplo, levam mais de 100 anos. Embora os cidadãos saibam de
sua importância e responsabilidade na preservação do meio ambiente,
ainda há muito para ser feito, já que por ano bilhões de embalagens não
são reaproveitadas e causam prejuízos à natureza. Especialistas alertam
que, nem mesmo a reciclagem do material seria a solução, uma vez que o
processo tem alto custo para o meio ambiente. Para a reciclagem do
volume de embalagem excedente atual no mundo, seriam necessários 224
milhões de quilowatts de energia elétrica por hora – correspondente a
224 milhões de televisores ligados durante 6 horas; e mais de 120
milhões de litros d’água, valor equivalente à água que cai nas Cataratas
do Iguaçu a cada 2 minutos.
A solução seria a redução da utilização de embalagens que levam muito
tempo para se degradar e que se opte por embalagens sustentáveis. Para
uma embalagem tornar-se sustentável, ela precisa trabalhar em conjunto
com o produto para maximizar seu uso e minimizar a geração de resíduos.
O Brasil tornou-se sinônimo de reciclagem de latas de alumínio para
bebidas, influenciado pelas condições econômicas e sociais do país,
porém reciclar somente um tipo de material não resolverá os problemas
ambientais do planeta. Em 2007, no Brasil 49% das latas de aço foram
recicladas, o que representa mais de 290 mil toneladas de aço retornando
ao processo de fabricação do material. Países como a Alemanha, Holanda e
Áustria chegam a reciclar quase 80% do total de embalagens de aço
pós-consumo. Na Europa, cerca de 2,5 milhões de embalagens de alimentos
e bebidas foram reaproveitadas no último ano, o que previne a emissão de
4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono no meio ambiente,
equivalente a dois milhões de carros fora das ruas.
Em 2001 foi criado um projeto de recuperação de embalagens de aço no
Nordeste denominado Reciclaço. A ação tem como objetivo trabalhar na
recuperação de latas de aço de duas peças para bebidas pós-consumo.
Quando o programa foi criado o índice de reciclagem era de 27%, hoje
esse número saltou para 85%. Em 2007, foi criado pela ABEAÇO o
Aprendendo com o Lataço, projeto de educação ambiental para crianças em
idade de formação, que já atingiu quase 10 mil alunos com informações
sobre consumo consciente. Se todos os responsáveis pela cadeia de
embalagens, desde a concepção do design até o descarte final, com o
apoio do governo, iniciassem projetos firmes de reciclagem e de
conscientização do consumidor, a maioria da população poderia sim, ser
responsável pelo futuro do planeta e das próximas gerações.
Por Luis Fernando Martinez. Presidente da Abeaço (Associação Brasileira
de Embalagem de Aço).
Fonte: Revista e Portal Meio Filtrante |
 



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