Brasil discute modelo para reciclagem de veículos
Nesses tempos de reaproveitamento de
material e limpeza planetária, o Brasil começa a discutir o que fazer
com as toneladas de lixo resultante dos carros e caminhões que são
abandados após o fim da sua vida útil.
Especialistas reuniram-se em São Paulo para conhecer as experiências
bem-sucedidas da Europa e da América Latina em reciclagem de veículos,
através das palestras de Ignacio Juárez Pérez, do Cesvimap (Centro de
Experimentación y Seguridad Vial Mapfre), da Espanha, e Fabián Pons, do
Cesvi Argentina (Centro de Experimentacion e Seguridad Vial).
Ignacio Pérez explicou todo o processo que ocorre atualmente na Espanha,
focando as instalações autorizadas para realizar operações de tratamento
dos veículos no final de sua vida útil. Essas operações envolvem a
descontaminação, reutilização, reciclagem e valorização do veículo.
Pérez defendeu o modelo espanhol de reciclagem de veículos como uma
referência para o Brasil, acreditando que o País se beneficiaria,
sobretudo, do ponto de vista ambiental.
A legislação que existe na Europa pode ser considerada restritiva, se
comparada com as de outros países, ou com aqueles onde ainda não existe
regulamentação - disse. "O trabalho desenvolvido na Espanha vem
descobrindo novos campos para o tratamento integrado de veículos nos
aspectos ambiental, social e econômico".
Já Fábian Pons, do Cesvi Argentina, contou sobre a experiência daquele
país. Lá, por meio de uma operação do governo federal, o programa de
reciclagem fechou a maior parte dos desmanches ilegais para combater o
roubo e furto de veículos. Além disso, a legislação determinou o destino
de veículos fora de uso para centros especializados de tratamento.
Pons recomendou que o Brasil utilizasse o experimento da legislação
argentina como uma referência, e buscasse melhorá-lo para adaptar o
modelo de reciclagem de veículos mais próximo da realidade do País.
Desde 2001, o Cesvi discute o assunto, desenvolvendo trabalhos e
estudando os projetos em andamento pelo mundo. Também vem oferecendo
apoio técnico ao governo, à Fenseg e às empresas privadas com a
realização de pesquisas - expôs Ramalho.
A platéia participou dos debates, que envolveram a cadeia produtiva do
setor automobilístico e o poder público. Participaram Marco Saltini,
diretor de relações governamentais da Volkswagen Caminhões e Ônibus,
Itagiba Franco, delegado da Divecar, a Divisão de Investigações sobre
Roubo de Veículos e Cargas da Policia Civil, do DEIC (Departamento de
Investigações sobre Crime Organizado), Sérgio Duque Estrada, diretor de
Proteção ao Seguro da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de
Seguros Gerais, Previdência Privada e Seguros de Vida, Saúde Suplementar
e Capitalização), Alexandre Xavier, gerente do IQA (Instituto da
Qualidade Automotiva), e Luiz Sérgio Alvarenga, assessor de mercado de
reposição do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes
para Veículos Automotores).
O delegado Itagiba Franco, da Divecar, comentou que o objetivo ao
participar deste evento foi o de achar um caminho para que se elimine à
ação dos desmanches ilegais em São Paulo.
É um trabalho complexo. A reciclagem legal de veículos é viável e
gratificante para o mercado de autopeças, e necessária para a sociedade.
Por meio de nossa iniciativa, houve uma reaproximação do DEIC e as
seguradoras para que todo tipo de fraude seja encaminhado para a
averiguação da polícia.
Já William Monteiro, coordenador de operações de serviços da GM do
Brasil, destacou que é preciso analisar o lado econômico dessa
iniciativa.
A montadora teria a vantagem da diminuição do índice de furto e roubo, e
não teria problema com as peças de reposição. Haveria redução nos
armazéns das montadoras, que não teriam que colocar peças, praticamente
obsoletas, para atender à eventual demanda de quem tem veículos com mais
de dez anos. Para o mercado de seguros, seria interessante que as
empresas assegurassem veículos com mais de dez anos de uso.
Segundo ele, para as montadoras, não é economicamente viável atender
veículos com mais de dez anos.
A sociedade teria controle de tudo que seria feito, sem desmanches e
peças ilegais, alimentados pela indústria do crime - encerrou.
Fonte: M. Barthô (Agência AutoInforme) |
 



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