Reciclagem de PETs fatura R$ 1,6 bilhão

Os negócios em torno do reaproveitamento de garrafas pet no País crescem, em média, 5% ao ano. Em 1994, apenas 18,8% eram recicladas. Nove anos depois, somam 53,5%, respondendo por faturamento bruto de R$ 1,6 bilhão e gerando mais de 17 mil empregos. Os dados são do último Censo de Reciclagem de Pet no Brasil, divulgado em 2007 pela Associação Brasileira da Indústria do Pet (Abipet).

O universo da reciclagem deste material é bem vasto, passando pela produção de artigos residenciais (enchimento para sofás, cadeiras, travesseiros, cobertores, tapetes, entre outros) até a utilização por parte da indústria automotiva e transportes (na confecção de estofamentos, carpetes e peças de barco). Segundo a Abipet, a reciclagem de qualquer material pode ser dividida em coleta, seleção, revalorização e transformação. No último método, a pet é revalorizada e transformada em outro produto vendável.

Nas mãos da artista plástica Mara Sandra Eleutério, de 46 anos, o material é transformado em arte. Há seis meses, ela recebeu a proposta de um cliente que mudou sua concepção de trabalho. “Fui convidada a organizar um evento que discutia a questão da responsabilidade sustentável. Toda a decoração foi feita com garrafas pet. O resultado final me abriu os olhos para o reaproveitamento deste material em prol da arte”, disse.

De acordo com Mara Sandra, a pet é um elemento meramente decorativo, servindo principalmente de base para arranjos florais. “O material tem de ser elaborado e bem limpo, pois fará parte das mesas onde serão servidos os alimentos”, ensinou. “Às vezes, demanda mais mão de obra. Porém, usar a pet significa redução de quase 20% nos custos de produção, conforme a característica própria de cada evento”, informou.

Ampliação

Na opinião de Rosy Cardoso, estudante de Design de Interiores e também artista plástica, o mercado em Goiás está despertando para o uso consciente e, por consequência, para a importância da reciclagem. De acordo com a Abipet, o Estado ocupava, em 2007, o 8º lugar em número de empresas atuando no ramo da reciclagem, entre 17 Estados pesquisados.

Segundo Rosy, essa “nova concepção” já chegou aos bancos acadêmicos. Em abril deste ano, ela fez parte de um projeto de sustentabilidade, exposto na Faculdade Cambury. O trabalho utilizou, entre outros materiais, garrafas pet. Com o produto, a artista e demais colegas produziram abajures, pufes, luminárias, bolsas, bandejas e até colares. “Tudo que é descartável pode virar arte. Trabalhar com produtos reciclados é uma boa forma de desenvolver a criatividade e ainda incrementar a renda da família”, ressaltou.

Trabalhos com produtos recicláveis também estão sendo realizados em colégios públicos. A Escola Municipal Francisco Rafael Campos, no Conjunto Planície, bairro de Aparecida de Goiânia, realizou em maio e junho um curso para alunos de duas turmas do programa Educação para Jovens e Adultos (EJA). “Como resultado do projeto Aprender para Empreender, fizemos duas exposições com fins lucrativos. Um dos produtos que mais chamou a atenção foi a vassoura feita de pet”, destacou Sirlene Barbosa, coordenadora pedagógica do período noturno da unidade.

Economia de energia elétrica e petróleo

Além da utilização por parte das indústrias e dos trabalhos artísticos, as garrafas pet podem promover até economia de energia elétrica e petróleo. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Pet, a maioria dos plásticos deriva do petróleo – um quilo equivale a um litro de petróleo. A entidade ressaltou ainda que a diminuição do volume de lixo coletado e encaminhado para aterros sanitários reduz, sensivelmente, o processo de decomposição de matéria orgânica, pois o plástico impermeabiliza as camadas de decomposição, prejudicando a circulação de gases e líquidos.

Conforme a associação, o reaproveitamento da garrafa pet por parte da indústria automobilística tem ganhado o mundo. Isso porque o produto está praticamente em 100% dos carros produzidos no País, sendo exportado para a Argentina. Informações extra-oficiais indicam que o setor está desenvolvendo novos métodos para o revestimento de portas e tetos dos veículos com pet reciclado.

Para a Abipet, esse material leva vantagem sobre outros porque tem transparência, grande resistência a impactos, maior leveza em relação às embalagens tradicionais e brilho intenso. O produto também está tomando conta das indústrias têxteis, a maior compradora de pet do País, especialmente para a produção de bolsas “ecologicamente corretas”.

Conforme a associação, para que a reciclagem de garrafas pet avance é necessário “criar uma logística de retorno das garrafas pós-consumo até o ponto de beneficiamento, ou instituir um fornecimento integrado até o ponto de consumo pela indústria”. Por causa da falta de planejamento, a entidade informou que a pet virgem chega a ser utilizada por fabricantes paranaenses de colchão, por falta do produto reciclado.


Fonte:  Marjorie Avelar (Jornal Hoje Notícia)