STF proíbe importação de pneus usados para o Brasil
O STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu,
por 8 votos a 1, a importação de pneus usados, tanto de países da União
Europeia como dos membros do Mercosul. A decisão resolve uma pendência
internacional que o Brasil enfrentava na OMC (Organização Mundial do
Comércio), em que era acusado pelos países europeus de "discriminação".
Isso porque o país havia proibido, por uma série de normas e portarias
editadas desde 1991, a importação de pneus usados. Mas continuava
autorizando a entrada desse tipo de material proveniente do Mercosul,
graças a uma decisão de 2002 do tribunal arbitral do bloco.
Os ministros do STF declararam a constitucionalidade das proibições
editadas pelo governo brasileiro, ao entenderem que o país, ao permitir
a entrada dos pneus usados, estava importando "lixo ambiental".
Tal prática, segundo os ministros do Supremo, são contrárias a
princípios constitucionais que garantem a preservação do ambiente e o
direito à saúde pública.
De acordo com estimativa da relatora da ação, ministra Cármen Lúcia, o
Brasil permitiu a entrada de pelo menos 100 milhões de pneus usados de
2002 até os dias atuais. Mesmo com a proibição do governo, as empresas
importadoras continuavam atuando no mercado por meio de decisões
judiciais.
Por ano, estima-se que o Brasil importe 7,6 milhões de pneus reformados
da União Europeia, via decisão judicial. Já em relação ao Mercosul, o
país importaria anualmente uma média de 168 mil do Paraguai e 164 mil do
Uruguai.
O julgamento havia sido interrompido em março, após pedido de vista do
ministro Eros Grau.
"[Os pneus] sem dúvida poluem os rios, os lagos e se tornam vetores de
doenças transmitidas por insetos, como a dengue. Eles têm metade da vida
útil dos pneus novos. Se tornam por consequência um passivo ambiental",
disse em seu voto o ministro Ayres Britto.
O único ministro que votou contra a proibição foi Marco Aurélio Mello.
Ele argumentou que o veto vai contra as regras da livre concorrência.
Os fabricantes de pneus novos estavam do lado do governo. Argumentavam,
por exemplo, que quase 40% dos pneus usados que entram no Brasil são
descartados diretamente.
Já os importadores alegaram que a qualidade dos pneus vindos do exterior
era superior à dos nacionais e afirmaram que as empresas criavam pelo
menos 18 mil empregos.
Decisão do TRF
O presidente da Abip (Associação Brasileira da Indústria de Pneus
Remoldados) e da BS Colway, Francisco Simeão, disse que a decisão do STF
não atinge a associação.
Segundo ele, o julgamento não invalida outro, do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região, que autoriza a importação de pneus usados, desde
que em boas condições, mediante a exportação da mesma quantidade de
pneus inservíveis.
Fonte: Felipe Seligman (Folha de S.Paulo) |
 



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