Do lixo para os galpões de fábricas de sacolas recicladas

A quantidade de lixo gerado pela sociedade moderna é uma das maiores preocupações dos ambientalistas em todo o mundo. É crescente a utilização de produtos e embalagens descartáveis e a destinação final dos mesmos nem sempre é feita de uma forma correta. Parte vai para os aterros sanitários, parte para depósitos ecologicamente incorretos, mas a verdade é que a maioria vira lixo. Esses resíduos, se reaproveitados ou reciclados, podem reduzir o impacto ambiental e gerar renda para milhares de trabalhadores. Por isso, esse é um tema recorrente no Seminário Meio Ambiente e Cidadania, promovido pelo HOJE EM DIA, que neste ano chega à sua sétima edição.

O seminário já debateu, em outras edições, temas como a reciclagem do papel, do pneu, de embalagens Tetra Pak, de sacos de cimento e mostrou exemplos de iniciativas e produtos criados a partir desses resíduos. Neste ano, traz informações sobre a reciclagem do plástico. Mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos são gerados, por ano, no Brasil. Destes, apenas cerca de 20% são mecanicamente reciclados, o restante é levado a aterros ou lixões. Apesar de os números parecerem desanimadores, eles são crescentes, e o Brasil já está entre os países que mais reciclam plástico no mundo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química.

O que antigamente era sobra de processo produtivo e resíduo de consumo, hoje pode gerar bons negócios e ajudar a preservar o meio ambiente. O engenheiro mecânico Raimundo Reis, há dez anos, partiu desse ideal para criar a Ecotec Petbras, uma fábrica de reciclagem de plástico, localizada em Sabará. O resíduo que iria para o lixo, na Ecotec é transformado em outros produtos que são comercializados, reduzindo o impacto do descarte do plástico na natureza. A fábrica recicla, em média, 50 toneladas de plástico por mês.

Tudo começou quando Raimundo Reis, um idealista por natureza, percebeu que, por meio de seus conhecimentos em mecânica, poderia desenvolver um equipamento que reciclasse o lixo, retirando-o do meio ambiente. Entre os resíduos, elegeu o plástico e, desde então, desenvolve a sua empreitada que, para ele, tem uma valor ecológico muito maior do que o econômico. “O material deixa de ser um agente poluidor, além do seu uso reduzir a exploração dos recursos naturais”, afirma Raimundo.

Ele optou pela reciclagem de sacos e sacolas, o chamado plástico filme. Foi o próprio Raimundo quem desenvolveu as máquinas utilizadas na fábrica, que realiza todos os processos da reciclagem e, tem como produto final, sacolinhas, embalagens de cestas básicas, saquinhos de lixo, dentre outros. A Ecotec gera cerca de 30 empregos diretos, além da geração de renda indireta. “O resíduo plástico é adquirido de depósitos, associação de catadores, que fazem desse trabalho de coleta a sua fonte de renda”, diz.

Para o diretor da Ecotec, o processo da reciclagem começa na casa de cada pessoa. “Fazer a separação do lixo para a coleta seletiva é fundamental para que a quantidade do material reaproveitado aumente e reduza a poluição do ambiente”, destaca Raimundo Reis.

O material chega à fábrica ainda misturado, onde é feita a triagem por cor e tipo. Depois de todas as etapas de preparação e transformação, a Ecotec cria novos produtos, que retornam para as casas dos consumidores, como o saco de lixo.


Fonte:  Andréa Hespanha (Hoje em Dia - MG)