Preço de recicláveis sofre queda e afeta catadores
Dona Cleuza Rosa Mendes, 57 anos, mora
sozinha com a filha Caroline, que tem 14. Durante a semana ela acorda
antes das 6h para chegar até às 7h na Cootramat (Cooperativa dos
Trabalhadores de Materiais Recicláveis) de Bauru, onde é um dos 25
cooperados atualmente.
Trabalha oito horas por dia e, quando acaba o expediente, nem sempre vai
direto para a casa, um barraco no Jardim Nicéia. Volta às ruas para
coletar mais recicláveis. “Preciso sustentar minha filha, né? Quem paga
as contas no fim do mês?”, diz.
Nos fins de semana também costuma coletar. “Tem uns prédios que separam
o material para mim. E passo também nas lojas do Centro”, conta. Mas nem
assim dona Cleuza consegue manter as contas em dia. “A fatura do cartão
já estourou, as parcelas do que comprei venceram, e não consegui me
ajeitar ainda”.
Tudo porque a demanda mundial pelos materiais recicláveis sofreu queda
com a crise econômica, o preço dos produtos despencou e,
conseqüentemente, o salário recebido pela catadora também caiu
consideravelmente.
“Antes cada um recebia cerca de R$ 700. Hoje, o valor caiu pela metade e
fica entre R$ 350 e R$ 400”, revela a responsável pela administração da
cooperativa, Maria Cecília Pereira de Souza. “E com o desconto de 11% da
previdência, no fim dá um salário ainda menor”, emenda.
Até por isso o número de cooperados caiu consideravelmente e passou de
38 (número pré-crise) para os atuais 25. “As pessoas saem para procurar
outro emprego. Mas com os funcionários que temos aqui hoje, já damos
conta do volume de trabalho”, aponta o diretor administrativo, Valmir
Moura.
Nas ruas, cai número de carrinhos
Até o ano passado, todo material recolhido pela Cootramat era facilmente
vendido – e por bons preços. “Tinha semana que o pessoal que
descarregava ficava dois ou três dias em casa para esperar acumular
material. Não compensava vir trabalhar”, lembra Valmir Moura.
Nas ruas da cidade, principalmente na região central, era comum vários
carroceiros disputarem o mesmo reciclável. “Hoje as ruas estão vazias”,
fala a catadora Cleuza Mendes.
A expectativa era que o setor melhoraria a partir de fevereiro, o que
não aconteceu. “Para quem vende a intermediários como eu, está ainda
mais difícil. Não pagam nem R$ 0,10 o quilo do papelão”, reclama João
Antonio de Lima, 48, catador de recicláveis há três.
Uma das esperanças da cooperativa bauruense para sair da crise está na
verba de R$ 600 mil do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) que ela espera para iniciar sua expansão.
Oficialmente o banco de fomento no Rio de Janeiro afirma que “a operação
está sendo aprovada”.
A Cootramat busca o empréstimo para ampliar suas instalações e comprar
um caminhão e maquinários novos. “Mas não temos idéia de quando esse
dinheiro sairá”, fala Maria Cecília de Souza.
Fonte: Júlio Penariol (Agência Bom Dia) |
 



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