Pesquisa mostra evolução da reciclagem brasileira
A quantidade de recicladoras apresentou
crescimento anual de 14,6%. Por conta dessa alta, a geração de empregos
diretos cravou 17,3% de aumento anual. O faturamento bruto cresceu 12,1%
ao ano e atingiu R$ 1,8 bilhão em 2007. Os resultados do estudo apontam
liderança absoluta da região Sudeste em número de empresas – concentra
464 revalorizadoras, de um total de 780 distribuídas pelo país. Só essa
região recupera 577.540 toneladas de plásticos.
No ano-base do levantamento, o mercado brasileiro reciclou quase um
milhão de toneladas de plástico, 556 mil das quais referentes a material
de pós-consumo, com predomínio do PET, que sozinho responde pelo volume
de 289 mil toneladas. Bem distribuído, os mercados consumidores são
variados. Os bens de consumo constituem os maiores usuários das resinas
revalorizadas. Os semiduráveis (utilidades domésticas, segmento têxtil,
brinquedos, descartáveis, limpeza doméstica, calçados e acessórios)
absorveram 52,3% dos plásticos reciclados em 2007. Os bens de consumo
duráveis (automobilístico, eletroeletrônico, móveis e outros)
responderam por 18,7%. Agropecuária, construção civil e outras
aplicações dividem o restante.
A capacidade instalada subiu 9,6% ao ano e atingiu quase um milhão e
quinhentas mil toneladas em 2007, evidenciando a existência de grande
capacidade ociosa. Na opinião do presidente da Plastivida, Francisco de
Assis, a ociosidade resulta da falta de ações efetivas por parte dos
municípios com respeito aos resíduos sólidos. “Apenas 7% dos 5.564
municípios brasileiros dispõem de coleta seletiva, ou seja, só 405
cidades contam com o sistema”, disse.
Privilegiar a coleta seletiva significa melhorar a qualidade da sucata,
pois um dos principais entraves à reciclagem reside no fato de os
descartes plásticos se encontrarem contaminados com resíduos orgânicos.
Outro problema é a separação dos diferentes tipos de resina, muitas
vezes incompatíveis entre si.
Uma das soluções defendidas por Assis consiste na adoção no país da
reciclagem energética, que recupera a energia contida nos resíduos
sólidos urbanos na forma de energia elétrica ou térmica, tendo no
material plástico a fonte combustível.
A opção não substitui a reciclagem mecânica, o melhor caminho para o
reaproveitamento do plástico proveniente da coleta seletiva. O processo
mecânico de reciclagem efetua a conversão dos descartes industriais ou
de pós-consumo em grânulos, reutilizados na produção de outros produtos,
de qualidade próxima à obtida com resinas virgens. A favor dos produtos
reciclados também conta o fato de boa parte das aparas plásticas serem
reutilizadas na própria indústria que as gerou. Esses descartes da
produção pouco perdem de suas propriedades.
A reciclagem energética constitui uma importante alternativa para o
gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos e o plástico direcionado para
esse tipo de processo seria aquele contaminado com resíduos orgânicos e,
portanto, impróprio para reciclagem mecânica, além de dar uma destinação
a produtos como laminados e co-extrudados, pela impossibilidade de
separação dos materiais, inviabilizando-os para o sistema mecânico de
reaproveitamento.
Entre as ações para impulsionar a reciclagem energética, Assis destacou
que a Plastivida está desenvolvendo um projeto nas petroquímicas com a
finalidade de implantar o sistema na unidade da Quattor no Rio de
Janeiro, nas fábricas da Bahia e do Rio Grande do Sul da Braskem, e,
ainda, no futuro complexo do Comperj, no Rio de Janeiro.
A pesquisa divulgada pela entidade dá seqüência a uma série de estudos
empreendidos pela Plastivida, iniciados por censos regionais e
divulgados desde 2000. Os levantamentos mais recentes, realizados pela
Maxiquim (o último datava de 2005), como o deste ano, se basearam em
metodologia do IBGE. A intenção da Plastivida é de caracterizar,
dimensionar e analisar o desenvolvimento da reciclagem dos plásticos no
país.
Fonte: Revista Plástico Moderno |
 



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