Quase 300 toneladas de lixo tóxico vindas da Inglaterra vão parar
ilegalmente no Porto de Santos
Dezesseis contêineres carregados com lixo
tóxico foram importados irregularmente da Inglaterra para o Porto de
Santos, no litoral paulista. O lixo, que saiu da Inglaterra em fevereiro
e passou por vários locais antes de chegar a Santos, pesa 290 toneladas.
No lixo foram encontrados, entre outros, resíduos de alimentos, cabos de
computadores e um travesseiro molhado. A empresa importadora e a
contratada para o transporte serão multadas em R$ 155 mil, segundo o
Instituto Nacional do Meio Ambiente (Ibama) em Santos, e a carga terá
que ser devolvida.
A importação de lixo tóxico precisa ser precedida de licença da
autoridade ambiental de cada país, conforme determina a Convenção da
Basileia e o Artigo 23 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama),
que regulam o transporte de resíduos perigosos. Nos contêineres que
vieram ao cais santista, trazidos do Porto de Felixtowe, um dos maiores
do Reino Unido, não havia essa permissão prévia.
A mercadoria começou a ser fiscalizada por autoridades portuárias de
Santos no último dia 26. De acordo com a chefe do escritório de Santos
do Ibama, Ingrid Oberg, os técnicos do órgão federal identificaram o
lixo em dois contêineres depois de uma denúncia do Ibama do Rio Grande
do Sul. A fiscalização também encontrou lixo nos outros 14 contêineres.
No porto gaúcho foram desembarcados 48 caixas metálicas com a
mercadoria, pela mesma firma inglesa que trouxe os resíduos a Santos.
- Isso é uma imundice. É um desrespeito com o nosso país, um absurdo.
Não somos o lixão do mundo - disse uma fiscal do Ibama.
No Rio Grande do Sul, as autoridades chegaram aos contêineres porque a
empresa brasileira importadora verificou que os mesmos não estavam
carregados com os produtos para reciclagem, que haviam sido
encomendados. Foram encontrados pilhas, seringas, banheiros químicos,
cartelas vazias de remédios, camisinhas, fraldas, tecidos, entre outros
produtos descartados.
O posto do Ibama do Rio Grande do Sul caracterizou a mercadoria como
resíduo tóxico domiciliar e eletrônico. No documento entregue à
alfândega do porto gaúcho, consta a existência de polímero de etileno e
de resíduos plásticos para serem usados na indústria de reciclagem, que
também precisa de autorização do órgão ambiental para importar essa
carga.
A chefe do Ibama em Santos disse que a importadora dos produtos será
autuada e terá de devolver a carga à Inglaterra, no prazo de até 10
dias.
No Rio Grande do Sul, cinco empresas (quatro com sede no estado e uma em
São Paulo) foram identificadas como importadoras do lixo e multadas em
R$ 408 mil.
Fonte: O Globo |
 



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