Tecnologia que vira lixo
Televisões amontoadas em cima de barracos
de zinco, espalhadas nas ruas cobertas de areia ou carregadas nacabeça
por quem se interessou em comprá-las. Esse é ocenário de um mercado de
eletroeletrônicos em Lagos, na Nigéria, no oeste da África, onde,
teoricamente, são vendidos aparelhos de segunda mão ainda em condições
de uso. Mas a organização ambiental Greenpeace produziu um documentário
que mostra que a realidade é outra.
Um investigador da entidade rastreou um aparelho descartado em Londres e
enviado para reciclagem, que foi parar no mercado de Lagos. Teria como
destino, junto a milhares de outros em condições semelhantes, um enorme
lixão, mas,comprado pelo investigador do Greenpeace, ilustra o
documentário, que pode ser visto e ouvido (em inglês) no link (www.lixoeletronico.org:80/blog/reciclagem-e-picaretagem).
E serve como pequeno exemplo do enorme problema que se soma a muitos
outros que contaminam o planeta, pois se espalha por continentes e
países, inclusive o Brasil: o lixo eletrônico.
"Existem muitas empresas que dizem que fazem reciclagem, mas na verdade
trituram o lixo (muitas vezes com mão-de-obra precária e sem
equipamentos de segurança ou observação às normas ambientais de descarte
de resíduos) e depois o mandam em contêineres para a China, onde esse
material vai ser reciclado por mão-de-obra semiescrava", afirma Felipe
Fonseca, colaborador da ONG Lixoeletronico.org.
Tendo em vista que a previsão de venda de computadores para o ano que
vem - apenas no Brasil - é de 10 milhões de unidades, dá para imaginar o
estrago e a quantidade de lixo eletrônico que acabará entulhando o
planeta se pensarmos que em cinco anos boa parte desses equipamentos
terá sido trocada.
Se levarmos em conta o atual número de celulares em operação no país,
então, os números do descarte ficam ainda mais assustadores. Dados da
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgados em janeiro
deste ano mostram que há mais de 150 milhões de aparelhinhos em
funcionamento - destinados a virar entulho assim que novas tecnologias
convencerem os consumidores de que está na hora de jogar no lixo o que a
modernidade considera obsoleto.
Fonte: IDEC |
 



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