SP paga para enterrar 78 mil toneladas de entulho
A gestão do prefeito de São Paulo,
Gilberto Kassab (DEM), assinou o 13º contrato sem licitação, no valor de
R$ 900 mil, para o gerenciamento dos entulhos em aterros da cidade.
Desde abril de 2007, quatro empresas recebem 78 mil toneladas de
resíduos sólidos recolhidas mensalmente por empresas de caçamba
cadastradas, dos 35 ecopontos e de obras públicas - todo o volume levado
aos aterros é hoje enterrado. As empresas já receberam em caráter
emergencial R$ 24,8 milhões nos últimos dois anos.
Para ambientalistas e caçambeiros, a Prefeitura deveria realizar um
contrato com a previsão de os aterros serem transformados em indústrias
de reciclagem, como já ocorre em alguns depósitos particulares do
Estado. O governo municipal tentou fazer três licitações para a coleta
dos serviços de entulho desde dezembro de 2006: uma não registrou
empresas interessadas e duas foram suspensas pelo Tribunal de Contas do
Município (TCM), a última em janeiro deste ano.
A reportagem apurou que o governo estuda lançar um edital, fora do
contrato para a gestão de entulhos, para fazer a reciclagem. "O impacto
ambiental do entulho soterrado é o mais perverso que existe. Além da
contaminação de lençóis freáticos, o fato de você enterrar um material
que poderia ser reaproveitado como pedra de calçada, por exemplo, é um
completo absurdo. São Paulo perde a chance de ter uma indústria de
materiais que poderiam ser reaproveitados em obras públicas", afirmou
Mário Mantovani, coordenador da organização não-governamental (ONG) SOS
Mata Atlântica.
Em nota, a Secretaria Municipal de Serviços informou que os contratos
emergenciais foram feitos para que o serviço essencial de limpeza não
seja interrompido. "A Secretaria de Serviços fez os contratos com as
empresas Qualix, Marquise, Iudice e Essencis até que a licitação seja
liberada pelo TCM e concluída. Assim que o processo licitatório estiver
finalizado, os contratos emergenciais serão automaticamente encerrados",
informou. "É importante saber que a Prefeitura mantém os valores dos
contratos há mais de três anos, sem nenhum reajuste".
Fonte: Agência Estado |
 



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