Aterro é descartado

Por causa da grande área de recarga do Aquífero Guarani na cidade, o Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) descartou a hipótese de implantar um novo aterro sanitário no município. A autarquia estuda um projeto com novas tecnologias e foco na reciclagem.

O prazo estimado para instalação do projeto são os 30 meses do contrato de transbordo e transporte do lixo para Guatapará, fechado com a Leão Ambiental. O aterro municipal será encerrado definitivamente após o dia 30 e o lixo será "exportado" até a nova solução. "Uma nova área para aterro ficaria difícil porque estamos em zona de recarga do aquiífero e não temos uma nova região adequada para esse aparato", disse o superintendente do Daerp, Tanielson Campos.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Joaquim Alves de Rezende, afirmou que o aterro seria viável, mas há tecnologias mais recentes passíveis de exploração. Segundo o empresário e ambientalista Márcio Antonio Francisco, que pretende dar entrada ainda este ano em uma usina particular de reciclagem em Ribeirão, o dinheiro investido no contrato de transporte com a Leão-Leão (R$ 30,28 milhões) seria suficiente para montar um projeto público.

"A usina de reciclagem de lixo não tem queima, gera empregos na triagem e aproveita tudo, pois além de direcionar os recicláveis, o material orgânico vira adubo", disse Francisco. O empresário acredita que a proposta permitiria ganhar dinheiro com o lixo da cidade e com o da região.

Já Diógenes Del Bel, diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), afirmou que os aterros são destinações seguras se feitas de forma correta e que custam de cinco a dez vezes menos que uma usina de geração de energia pela queima do lixo - terceira possibilidade que é avaliada desde 2006 para Ribeirão.

"A usina tem a vantagem de ocupar um espaço menor. Mas em todas as opções o que demora é a fase de licenciamento, que nessa área pode levar até dois anos", disse Del Bel.

Licenciamento está pendente

A Leão Ambiental, que fará o transbordo do lixo doméstico de Ribeirão para o aterro de Guatapará, informou que "dificilmente" o licenciamento definitivo para a operação em Ribeirão estará autorizado até o dia 30 e que não há data para iniciar a operação ainda. A empresa declarou que as opções seriam a obtenção de uma licença provisória ou o transporte do lixo diretamente com os caminhões coletores, mas que a segunda alternativa seria "inviável do ponto de vista operacional e de custos". A ideia é que o transbordo seja feito em um terreno municipal localizado ao lado do aterro que será encerrado. Segundo a Leão, o projeto do transbordo ainda não foi protocolado na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) por falta de um documento que comprove a propriedade da Prefeitura sobre a área. O Daerp já teria sido notificado sobre a pendência. O superintendente da autarquia, Tanielson Campos, disse que o órgão já entrou com o pedido na Cetesb.

Reciclagem não é prevista

O contrato de Ribeirão Preto para "exportação" do lixo não prevê a triagem para compostagem e reciclagem. A medida reduziria o peso do lixo transportado, diminuindo os gastos da cidade (o valor será de R$ 67,30 a tonelada). A Leão Ambiental, vencedora da licitação, informou que a coleta seletiva é feita por meio de outro contrato e que o de transbordo não contempla serviços de reciclagem e compostagem. Em São José do Rio Preto, que também exporta resíduos para Guatapará, a Prefeitura pediu a rescisão do contrato com a Leão-Leão, pois esses dois itens constavam do contrato e não estariam sendo cumpridos. A coleta seletiva oficial de Ribeirão, feita pela Cooperútil, reciclava apenas 22 toneladas por mês, sendo que a produção diária de lixo na cidade chega a 500 toneladas. Sem lugar e máquinas para trabalhar e com a equipe reduzida, a Cooperútil já diminui o volume de reciclado pela metade.


Fonte:  Danielle Castro (Gazeta de Ribeirão)