Preço de recicláveis desaba e prejudica catadores
A crise econômica revelou um lado
benéfico com a redução de emissões de gases de efeito estufa, em
decorrência da redução mundial da produção, mas está mostrando também a
face perversa na questão ambiental e social. Após despencarem até 62% há
dois meses, os preços dos recicláveis começam a fazer suas vítimas
sociais, os catadores e suas cooperativas, que ganham muito menos, mesmo
trabalhando por mais tempo. E o meio ambiente deve-se ressentir da
redução do recolhimento de uma série de produtos, que ficarão expostos
na natureza, poluindo por anos e anos.
O quilo de ferro para reciclagem caiu 62% em São Paulo, de R$ 0,42, em
novembro, para R$ 0,16. O papelão passou de R$ 0,28 para R$ 0,24 o
quilo. O plástico perdeu 25% de seu valor, de R$ 0,40 para R$ 0,30 o
quilo. E o alumínio, item com maior índice de reciclagem no País, também
desabou (47%): R$ 3,40 para R$1,80 o quilo, informa o coordenador do
Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR),
Roberto Laureano.
"Nós vemos uma redução da demanda desse material todo por causa da
redução de consumo", explica Izabel Zaneti, professora do Centro de
Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB). "O
petróleo caiu de US$ 160 para US$ 40 o barril, é lógico que isso reduziu
o preço do plástico que é extraído do petróleo", acrescenta, de acordo
com reportagem de Gilberto Costa, da Agência Brasil.
Catadores de materiais reclamam no país inteiro da queda dos ganhos, do
aumento de serviço e da prorrogação da jornada de trabalho. "Eles não
estão excluídos, eles estão mal incluídos nessa cadeia produtiva e
sempre vão ter a parte pior da exploração", alerta Zaneti. Sandra Regina
Caselta, tesoureira da Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do
Socorro, de Interlagos em São Paulo, confirma o diagnóstico da
professora, mas acrescenta que há especulação de preço e exploração no
mercado. "Os compradores sabem que as cooperativas precisam vender o
material para ter capital de giro para as despesas mensais".
"O que está acontecendo é uma exploração dos intermediários que compram
volumes menores de pequenas cooperativas ou de catadores independentes,
para ainda pagar mais barato, explorando em nome de uma crise", acusa
Sônia Maria da Silva, diretora-presidente da cooperativa 100 Dimensão,
que funciona há dez anos no Riacho Fundo, no Distrito Federal.
Joel Carneiro da Silva, catador há 18 anos, confirma que "essa é a pior
crise que passou" e calcula que na cooperativa à qual pertence
(Cooperativa de Material Reciclável da Cidade Estrutural) o ganho dos
sócios caiu 60%. Os catadores recebem hoje R$ 120 por oito fardos de
plásticos, ante os R$ 300 antes da crise.
Em Minas Gerais, o quilo de papelão especial baixou de R$ 0,47 para R$
0,12; o papelão fino, de R$ 0,37 para R$ 0,10; o jornal, de R$ 0,27 para
R$ 0,08; o papel misturado, de R$ 0,15 para R$ 0,01; e o papel branco,
de R$ 0,47 para R$ 0,30. O ferro, que em setembro custava R$ 0,28, parou
de ser comprado em 20 de novembro.
Fonte: Carlos Rangel (DiárioNet) |
 



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