Reciclagem de água tropeça em reticências, segundo Fórum de Istambul
A reciclagem de água servida, para
transformá-la direta ou indiretamente em água potável, tropeça nas
reticências dos consumidores, segundo os participantes do Fórum Mundial
da Água, em Istambul.
"As pessoas detestam imaginar que estão bebendo água que pode ter vindo
do esgoto", resume Gerad Payen, membro do Conselho Consultor para a Água
e o Saneamento da Secretaria Geral da ONU.
"Existe um bloqueio psicológico sério, mas isso será superado pouco a
pouco", afirma.
Em Windhoek, capital da Namíbia, um país árido da África austral, a
reciclagem já funciona com sucesso há anos.
Em outros lugares, e ainda que seu uso na indústria e na irrigação se
desenvolva rapidamente, esse tipo de água "que vem das privadas e
torneiras", como dizem seus detratores, é visto com grande desconfiança.
Há três anos, os habitantes da cidade australiana de Toowoomba
rejeitaram em um referendo a idéia de reciclar a água servida para
transformá-la em potável. Mas a Austrália, país afetado por secas
frequentes, não abandonou a idéia.
Diante do crescimento exponencial da demanda, a água dos mares e a água
servida surgem como recursos a serem explorados.
"Tecnicamente, sabemos como fazer, através da reciclagem, água
perfeitamente potável", explica Antoine Frérot, diretor geral da Veolia
Agua, empresa bastante presente no setor.
Frérot destaca que a reciclagem da água servida "consome menos energia
que a dessalinização e evita a poluição".
Diante da resistência das pessoas, no entanto, algumas cidades optaram
pela reutilização "indireta" da água servida, fazendo com que passem por
um rio, uma represa ou uma reserva antes de fazê-la chegar às torneiras.
"Há uma passagem por um 'meio natural' que, por um lado, permite superar
a barreira psicológica e, por outro, melhora a reciclagem graças ao
ecossistema", explica Jacques Labre, diretor de relações institucionais
da empresa francesa Suez Meio Ambiente.
Fonte: Último Segundo |
 



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