Documentário sobre reciclagem gera debate em Campo Grande
O documentário “A Margem do Lixo”, de
Evaldo Mocarzel estreou no 6º Festival de Cinema de Campo Grande e levou
ao CineCultura convidados especiais. Enquanto na tela catadores de
materiais recicláveis protagonizavam o filme que interpretam todos os
dias – o de suas rotinas, desafios e vontades -, na platéia, artesãs de
materiais recicláveis assistiam um pouco de suas vidas, de amigos e
vizinhos.
Após a exibição do longa-metragem, Sérgio da Silva Bispo, liderança da
Cooperativa dos Catadores da Baixada do Glicério (SP), e Assunção
Hernandes, produtora do documentário, participaram de um debate na sala
de exibições do CineCultura, onde falaram sobre a produção do filme e
sobre a vida dos catadores em São Paulo.
A artesã de materiais recicláveis Jacqueline Teixeira da Silva lidera um
grupo de 22 mulheres do bairro Dom Antonio Barbosa, em Campo Grande, que
usam garrafas PET para a execução de decoração de natal e outros
produtos. Ela relatou, após o debate, que apesar das rotinas delas e dos
catadores dos filmes serem diferentes, é importante conhecer outras
realidades, especialmente pela experiência já consolidada em São Paulo.
“Em cooperativa é mesmo mais fácil pra trabalhar. A gente mesmo teve
dificuldade para conseguir garrafa PET, porque nossos amigos catadores
já tinham compromisso com outros lugares, não podiam passar pra gente”,
relata. O Dom Antonio Barbosa é um bairro da Capital que se desenvolveu
no entorno do Lixão, formado, em princípio, por catadores de materiais
recicláveis.
Bispo pode relatar, no debate, um pouco sobre a vida dos catadores em
São Paulo e ainda destacou a importância, para ele, da organização em
cooperativas, para que juntos, esses trabalhadores possam lutar por
alguma dignidade. “Nós somos a base da pirâmide. Queremos chegar ao
topo”, diz, ao mencionar a difícil relação entre os catadores e as
recicladoras.
Até a crise financeira mundial já se abateu sobre eles: hoje, o quilo do
papelão chega a ser vendido por R$ 0,12, enquanto antes da crise custava
R$ 0,30. “A gente só quer ter direito a ter direitos”, afirma. Para
Assunção Hernandes, o documentário pode evidenciar o que desejam esses
trabalhadores, mostrando que “eles pensam no futuro e na participação
que eles tem na sociedade”. Ela destacou também que esse é um dos papéis
do cinema: trazer coisas do subsolo.
Fonte: Midiamax News - MS |
 



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