Apenas 15% dos pneus velhos descartados em Bauru são reciclados
Os números não são precisos, mas a
estimativa é de que apenas 15% dos pneus velhos, que não têm mais
condições de rodar, trocados em Bauru todo mês vão para reciclagem,
apesar de há nove anos o Brasil contar com legislação que estabelece a
destinação ambientalmente adequada deste material. Conseqüentemente,
sobram pneus em terrenos baldios que, além de entulho, podem se tornar
focos do mosquito transmissor da dengue.
Empresas de revenda de pneus e borracharias calculam que na cidade são
trocados aproximadamente 10 mil pneus por mês. Destes, cerca de 1.500
são recolhidos e encaminhados para a reciclagem e se transformam em
asfalto, pisos industriais, sola de sapato e combustível alternativo.
A Pineuac, empresa parceira do fabricante Pirelli e que aderiu ao
programa nacional de coleta e destinação de pneus inservíveis implantado
pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) há nove
anos, recolhe cerca de mil unidades por mês em Bauru.
“Todos os produtos recolhidos por nós são encaminhados para os ecopontos,
locais criados pela Anip que possibilitam a destinação ambientalmente
correta dos pneus”, explica Daniel Pereira Paiva, gerente da filial
Pineuac em Bauru.
A Dpaschoal é outra empresa que aderiu ao programa. Segundo a assessoria
de imprensa da empresa, a filial de Bauru recolhe cerca de 250 pneus
inservíveis por mês, que são encaminhados à central da empresa que dá a
destinação correta para o produto.
Enquanto as revendedoras de pneus recebem orientação da Anip, falta
informação para os borracheiros. Marcos Felício, proprietário de uma
borracharia na cidade conta que descarta cerca de 70 pneus ao mês. “Aqui
na cidade, não conheço pontos que recolhem os pneus inservíveis e também
não sei de nenhum programa de reciclagem. Por isso, descarto os pneus no
aterro sanitário”, afirma.
O borracheiro Waldir Oliveira afirma que também encaminha os pneus
velhos para o aterro sanitário. “São aproximadamente 40 pneus por mês”,
conta. Já Wellington Luis da Silva, proprietário de outra borracharia,
explica que entrega cerca de 50 pneus todo mês aos catadores de
recicláveis que passam pelo local. “Não sei o que eles fazem com o
produto. Eu, como não sei para onde encaminhar, entrego para os
catadores”, revela.
Para Marcos, faltam informações sobre a reciclagem de pneus. “É
importante fazer divulgação da possibilidade de reciclar pneus, pois
muitos não conhecem o assunto. Eu, por exemplo, sei que existem
programas de reciclagem, mas não sei como fazer parte da iniciativa e
não conheço nada relacionado ao assunto aqui em Bauru”, afirma.
Borracharias
De acordo com a assessoria de imprensa da Empresa Municipal de
Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), as mais de 100
borracharias da cidade são orientadas a encaminhar os pneus inservíveis
ao aterro sanitário. No local, o material é separado e recolhido por uma
empresa terceirizada que encaminha o produto para a reciclagem.
Após a destinação, os pneus podem ser utilizados como combustível
alternativo no co-processamento em fábricas de cimento; transformados em
pó de borracha para uso em asfalto; transformados em regenerados de
borracha a serem utilizados como matéria-prima na produção de tapetes,
mantas, coxins, entre outros; transformados em subprodutos derivados
diretamente dos pneus, como percintas para sofás, tubos de drenagem de
água, batentes, etc.
Desde 1999, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) instituiu a
responsabilidade do produtor e do importador brasileiros pelo ciclo
total do pneu. Há seis anos, eles devem coletar e dar a destinação
correta aos pneus inservíveis. Além disso, a cada quatro novos pneus
fabricados, o produtor e importador deve reciclar cinco.
Como é feita
A reciclagem de pneu exige a separação da borracha vulcanizada de outros
componentes (como metais e tecidos, por exemplo). Os pneus são cortados
em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas
e depois submetidas à digestão em vapor d’água e produtos químicos, como
álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. O produto obtido pode
ser então refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme ou
extrudado para a obtenção de grânulos de borracha. Os subprodutos
obtidos têm diferentes aplicações:
Co-processamento: Uso dos pneus como combustível alternativo em fornos
de cimenteiras em substituição ao carvão. Quando comparados ao óleo
diesel, os fragmentos de pneus apresentam menor custo e maior poder
calorífero.
Laminação: Utilização de pneus não radiais para fabricação de percintas
(indústrias moveleiras), solas de sapato, dutos de águas pluviais, entre
outros.
Asfalto: A aplicação é direta em pó para o revestimento de ruas e
estradas. A adesão à massa asfaltiva desse pó promove o aumento da vida
útil do asfalto e proporciona maior segurança aos usuários das vias.
Artefatos de borracha: São usados na fabricação de tapetes, rodas
maciças para carrinhos, pisos e outras. O produto feito a partir de
picotagem é mais leve e o ganho de produtividade na instalação, assim
como a redução nos custos de transporte, são grandes diferenciais
competitivos.
Fonte: Juliana Franco (Jornal da Cidade de Bauru) |
 



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