Catadores criam central para otimizar reciclagem

Para centralizar os esforços das cooperativas e facilitar a busca por empresas compradoras de resíduos sólidos, os catadores de lixo do ABC se uniram e criaram a Coopsente (Cooperativa de Catadores de Materiais Reciclados do ABCD). Trata-se de uma cooperativa de segundo grau, ou seja, uma central de cooperativas, que está em funcionamento há quase um ano e foi formalizada no final de junho.

A Coopsente é hoje composta pelas cooperativas Cooperma, de Mauá, e Cooperpires, de Ribeirão Pires, além das associações Refazendo e Raio de Luz de São Bernardo, e a Pacto Ambiental, de Diadema, que contam com a participação das cooperativas Cooperlimpa, Taboão, Vila Popular, Chico Mendes, Nova Conquista e Centro. Ao todo, a iniciativa reúne cerca de 220 catadores.

O principal objetivo é tentar colocar o máximo de produtos na indústria final, como são chamadas as grandes empresas que compram materiais reciclados.

De acordo com o presidente da Coopsente, José Lacerda Borges, hoje a cooperativa vende papelão, papel branco, pet e treta park. Somados, contabilizam aproximadamente 140 toneladas de material por mês.

A Coopsente já tem clientes como a indústria Suzano, que compra papelão e papel branco; a Papirus Indústria de Papel, que compra papelão, a própria Tetra Pak, que paga pelas embalagens usadas. “Estamos sempre em busca de mais empresas. Trabalhando em conjunto, o resultado fica mais fácil de ser alcançado”, diz.

A cooperativa-mãe já possui dois caminhões, doados pela Petrobras por intermédio do Projeto Canadá, que unia as cooperativas para discussões. “A Petrobras doou os caminhões para tentar unir as cooperativas e fazer a venda coletiva”, explica Lacerda. Os caminhões são usados para juntar o material coletado e concentrá-los num só local, para facilitar o recolhimento pelas empresas. Além das atuais associadas, a Coopcicla de Santo André - maior cooperativa do ABC, com cerca de 80 catadores - estuda aderir ao projeto.

O projeto da cooperativa não pára na venda dos materiais. “A gente pensa em ir além da comercialização. A idéia é beneficiar algum tipo de material e enviar projeto para entidades como o Banco do Brasil, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ou Petrobras”.


Fonte:  Liora Mindrisz (Repórter Diário)