Apenas 2% dos brasileiros reciclam celulares

Apenas 2% dos brasileiros destinam seus celulares usados para a reciclagem, embora 74% acreditem que essa é uma atitude positiva para o meio ambiente. O número é baixo mas está em sintonia com a média mundial: apenas 3% dos celulares vendidos voltam à linha de produção. Os números fazem parte de um levantamento realizado pela fabricante de aparelhos Nokia, onde foram consultadas 6,5 mil pessoas em 13 países, com o objetivo de traçar estratégias para incentivar o recolhimento dos celulares e baterias que não são mais usados.

A maioria das pessoas (44%) deixa os aparelhos guardados em casa. No Brasil, esse número cai para 32%, enquanto 29% dos consumidores dão o celular para outra pessoa e 10% jogam o aparelho antigo no lixo comum - contra 4% da média mundial. O baixo índice de reciclagem dos aparelhos é causado tanto pela ausência de leis que obriguem as empresas a adotar procedimentos de coleta e destinação como pelo desconhecimento, por parte do consumidor, de que pode destinar seu celular antigo à reciclagem - 50% dos pesquisados afirmam não saber como reciclar o aparelho.

No Brasil, onde o mercado de telefonia celular cresce em média 20% ao ano e a base de usuários chega a 125 milhões de pessoas, as operadoras de telefonia celular e fabricantes começam a adotar iniciativas de recolhimento dos aparelhos. A operadora Vivo passou a coletar aparelhos usados em suas lojas desde 2006, em urnas específicas. Este ano a companhia ampliou o programa para toda a rede de assistência técnica, num total de 3,4 mil locais. Desde o início do ano já foram recolhidos 815 mil itens, sendo 450 mil aparelhos, a maioria com a antiga tecnologia CDMA.

"Ainda é muito pouco, perto de um universo de 45 milhões de aparelhos que são vendidos todo ano. Mas a expansão dos pontos de coleta já começa a dar resultados", diz Marcelo Alonso, diretor de relações institucionais da Vivo. Segundo o executivo, cada usuário fica em média 18 meses com o mesmo aparelho. Em março deste ano, a operadora Claro também criou um programa de recolhimento, em 140 lojas próprias. Até o final do ano, a empresa pretende chegar a 3,3 mil pontos de coleta, incluindo os agentes autorizados. Em geral, a logística de recolhimento e o desmonte dos aparelhos e baterias são feitas por empresas especializadas, que separam os componentes plásticos, circuitos eletrônicos e metais. Ainda não existe obrigatoriedade de coleta de aparelhos. A exceção são as baterias fabricadas até 2000, que continham metais pesados como cádmio, chumbo e mercúrio - a resolução 257/1999 do Conama prevê a responsabilidade, por parte do fabricante, de retirar as baterias de circulação.

RIGOR - Entre os fabricantes, a preocupação é se antecipar a uma legislação mais rígida - já se discute, no Congresso Nacional, uma política de responsabilidade pós-consumo, que obrigaria a indústria a arcar com parte do ônus pelo lixo tecnológico. "Já existe a consciência do consumidor, que não quer jogar o celular no lixo comum. A grande lacuna é a falta de informação sobre como reciclar o aparelho", diz Luciana Souza, gerente de responsabilidade social da Nokia do Brasil. A empresa tem um programa incipiente de coleta, com 162 pontos em todo o País. Os aparelhos e acessórios ficam armazenados em um depósito da empresa, antes de serem desmontados por empresas especializadas. Cada item segue um destino diferente. Os visores, por exemplo, podem ser reaproveitados pela indústria de brinquedos eletrônicos ou para fabricar novos celulares. Na Motorola, o recolhimento de baterias é feito desde 1999, com um resultado de 250 toneladas de componentes, segundo Luis Ceolato, supervisor de meio ambiente da Motorola. No ano passado, a empresa começou a receber também aparelhos usados, por meio de 130 pontos em todo o País. De acordo com Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu, ONG que incentiva o consumo consciente, parte da responsabilidade sobre o lixo tecnológico deve ser assumida pelo consumidor. "Os usuários devem trocar o aparelho quando isso for realmente necessário, não em função dos estímulos da publicidade", diz.


Fonte:  Monitor Mercantil Digital