A indústria e a reciclagem
No domingo, dia 29 de junho, o Cruzeiro
do Sul apresentou reportagem no caderno de Economia sobre uma empresa de
Sorocaba especializada na compra de sobras industriais e a preparação
das mesmas para outras indústrias, que as reciclam. Ainda, em outro
caderno, informou que cestos de coleta seletiva foram instalados nos
terminais Santo Antônio e São Paulo, visando o encaminhamento de
resíduos domiciliares para cooperativa de catadores. Nos locais, atores
fizeram um trabalho de conscientização com a população visando estimular
a participação na coleta seletiva.
A princípio, a indústria da reciclagem não reconhece a procedência dos
resíduos. Se são lixo para uns, indústrias ou residências, certamente
são matéria-prima para outros. Porém, normalmente os resíduos
industriais são muito mais valorizados e desejados que os resíduos que
geramos nas nossas casas.
Devido à proliferação das embalagens de plástico, geramos cada vez menos
metais, os itens mais valorizados na reciclagem de materiais e que
movimentam uma série de empresas como a retratada pelo Cruzeiro. Assim
como ela, outras empresas do ramo se instalaram na cidade em função do
parque fabril aqui existente e gerador desses resíduos. E daqui partem
caminhões para indústrias de Sorocaba mesmo ou da região, que derretem
esse metal e fabricam novos produtos.
Junto com as empresas que comercializam sucatas, as recicladoras
representam papel importantíssimo com relação à questão ambiental, pois
diminuem a necessidade de extração de minérios (de ferro e de alumínio,
por exemplo) da natureza, contribuindo para que o planeta dure mais.
Ainda, outra vantagem fundamental: em média, para se fazer uma tonelada
de aço (liga de ferro com, principalmente, carbono) a partir de sucata,
se gasta 1.780 kWh de energia, enquanto que para se fabricar uma
tonelada de aço a partir do minério de ferro são necessários 6.740 kWh.
Ou seja, com cada tonelada de aço reciclado fabricada economiza-se o
suficiente para abastecer de eletricidade durante um mês 33 residências.
Como se estima que em 2007 foram produzidas 16 milhões de toneladas de
aço reciclado (40% da produção nacional de aço, de quase 39 milhões de
toneladas), só a reciclagem de aço representou uma economia de 80
bilhões de kWh no ano. Embora o kWh seja uma unidade típica de
eletricidade (medida mensalmente nos nossos relógios de luz), a energia
gasta pela fabricação de aço não é só elétrica, mas também térmica a
partir do carvão, gás e outros combustíveis. A conversão de toda a
energia gasta para kWh é interessante para se chegar à conclusão de que
e economia trazida ao país pela reciclagem somente do aço é equivalente
a uma usina hidrelétrica de 9 GW. Para comparação, todo o potencial
elétrico brasileiro é da ordem de 100 GW, contando os 7 GW brasileiros
da maior hidrelétrica em operação do mundo, Itaipu (de 14 GW, porém os
outros 7 GW são do Paraguai). Outro exemplo do tamanho dessa economia:
as duas usinas que o governo federal deseja construir no rio Madeira, na
Amazônia, foram projetadas para, juntas, ter capacidade instalada de 7,5
GW.
Resumindo, a reciclagem de materiais representa um grande negócio, tanto
em termos de dinheiro movimentado quanto para o ambiente. Mas a
realidade dos resíduos domiciliares é bem distinta da apresentada pelos
resíduos industriais metálicos e não é somente pelo fato de ter pouco
metal no nosso lixo. O fato da maioria da população ainda não separar o
lixo após sua geração faz com que os resíduos se misturem e a separação
posterior, numa cooperativa ou eventualmente na indústria fique
complicada. Dessa maneira, muitos industriais rejeitam ou pagam muito
pouco por vidros, metais, plásticos e principalmente papéis provenientes
de resíduos domiciliares, sob pena de fabricação de reciclados mais
caros (pela necessidade de isolar o material de interesse dos demais) ou
de pior qualidade (quando esse isolamento não é conseguido). Faremos
nossa parte e contribuiremos para melhorar cada vez mais a reciclagem de
resíduos domiciliares se separarmos nosso lixo em úmido (restos de
comida e lixo de jardim) e seco (embalagens de um modo geral) e
encaminharmos este último a uma das quatro cooperativas de catadores de
materiais recicláveis existentes na cidade. Certamente as lixeiras nos
terminais e o trabalho de conscientização realizado tiveram este
sentido.
Fonte: Cruzeiro do Sul - SP |
 



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