Alternativa é 100% reciclagem, diz diretora

A alternativa para a sustentabilidade no segmento de embalagens é 100% a reciclagem, diz a diretora da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), Luciana Pellegrino. De acordo com ela, os materiais que existem já têm especificações, critérios de seguranças de qualidade para condicionar produtos e, principalmente, os para alimentos trazem uma legislação muito rigorosa em termos de não contaminação, ou seja, são inertes.

'Estes materiais já têm um papel muito importante que serão ampliados se também puderem ser reciclados, servindo de matéria-prima para outra atividade industrial", afirma. Como exemplo, a executiva cita a fabricação de tecido com o material das garrafas PET.

Segundo a diretora, os materiais de embalagens hoje têm uma composição nobre e um alto valor de mercado para ser comercializado e ser reciclado. 'E, isto já acontece no Brasil e no mundo. A reciclagem atrai este ganho para a sociedade porque dá nova utilização para uma matéria-prima que já foi extraída e processada", diz.

Entretanto, Luciana faz um alerta: "Não se pode achar que o futuro é só trabalhar com materiais de fontes renováveis. É importante desenvolvê-los, porque alguns materiais têm limite para acabar. Para ela, é importante trabalhar no desenvolvimento de alternativas urgentemente.

Luciana informa que a reciclagem hoje já é muito forte no Brasil e não apenas no setor de latinhas de alumínio, como se pensa. 'Em alguns casos falta-se um marketing maior'. Como exemplo, ela cita o papelão ondulado que 73% da produção é reciclada e a indústria da garrafa PET de refrigerante que hoje já se recicla 51% do que é produzido. "As embalagens longa vida, que chamamos de assépticas, também têm a tecnologia de reciclagem instalada e disponível no Brasil e tem-se trabalhado na coleta seletiva para o encaminhamento desta embalagem para o mecanismo de reciclagem", indica.

No caso do vidro, segundo Luciana, o processo de reciclagem já instalado envolta para a indústria vidreira e novas embalagens de vidro. 'Embalagens de aço também que são recicláveis', completa.

Ainda segundo Luciana as associações setoriais e as empresas já estão trabalhando para conscientizar o consumidor sobre toda esta logística reversa e a possibilidade de reciclagem destes outros materiais. 'Muitas vezes, a grande competitividade da reciclagem está neste momento do descarte, onde o consumidor ao invés de jogar no lixo comum ele encaminha para a coleta seletiva. Por isto, hoje estamos trabalhando muito nesta comunicação', sugere a diretora.

Para Luciana, qualquer programa de educação ambiental é importante. 'Não entrando no mérito político da taxa de lixo, mas com esta tarifa, as pessoas começaram a prestar atenção no lixo, viram que era um assunto importante. Virou uma rotina e mudou a nova geração que vem trazendo esta conscientização porque se trabalha muito este assunto em escolas e programas de ensinar o que é reciclagem, ensinar a preservação do meio ambiente, ensinar separação e descarte seletivo de materiais. E, as crianças estão trazendo isto para casa e exigindo que os pais participem. A nova geração já vai vir com uma conscientização muito mais avançada do que a atual. Ainda que a atual, por diferentes motivos, também está tomando consciência do assunto. Mas, além da consciência, que é o grande diferencial desta nova geração, é a atitude incorporada, porque apesar de conhecer o assunto é importante mudar o nosso comportamento para fazer parte daquele assunto', avalia.


Fonte:  Angela Ferreira (InvestNews)