Material velho, produtos novos

Talvez a personagem que abriu esta matéria, a assistente social Maria de Farias, de 54 anos, nem imagine que o processo que começa em suas mãos está apenas começando. Uma vez que ela separa, higieniza o material reciclável e coloca o saco de lixo na sua calçada, começa um novo ciclo. Depois de ser recolhido pela coleta seletiva da prefeitura, ele é encaminhado até um dos cinco núcleos de triagem da cidade. Nesses locais, o material será avaliado e separado pelos catadores do lugar. Em seguida, são compactados, em alguns casos triturados, e depois serão enviados para indústrias que irão beneficiar esses resíduos.

Essas empresas irão transformar aquilo que não tem mais serventia, como as garrafas PET, que entopem bueiros e são facilmente encontradas boiando nos córregos e rios do Recife, em objetos como cordas, baldes, roupas e até mesmo em madeira plástica, que pode se transformar em bancos de praça e em tampas de bueiros.

“Há várias possibilidades. O vidro, por exemplo, é um material que pode ser reciclado infinitamente sem perder as suas propriedades e com 100% de reaproveitamento”, explica a gerente de marketing da Companhia Industrial de Vidro, Izabela Zisman. A empresa é responsável pela campanha do Papa vidro, que disponibiliza containeres de coleta por toda a cidade.

O metal também é um elemento que alcança um bom resultado ao ser reciclado. O gerente executivo da Gerdau Açonorte, Paulo Sergio Lins, explica que, em 2007, 66,9% da produção foi feita a partir de sucata ferrosa. “Isso ajuda a reduzir a quantidade de sucata depositada em aterros. Objetos que podem ser obsoletos para a sociedade, transformam-se em matéria-prima para a atividade siderúrgica”, enumera.


Fonte:  Folha de Pernambuco