Reciclagem de PET movimenta R$1,6 milhão na Bahia
Sabe aquela garrafa plástica vazia de
refrigerante jogada no lixo? Pois é, ela está ajudando muita gente a
conseguir o ganha-pão diário. Atualmente, só na Bahia, o mercado de
reciclagem do recipiente tipo Pet (Polietileno Tereftalato) movimenta
R$1,65 milhão por ano. Segundo o presidente da Bahia Pet – uma das
empresas pioneiras no ramo e uma das maiores do país –, Roberto Carlos
Souza, a tonelada do material custa em média R$1,1 mil e no estado são
vendidas aproximadamente 1,5 mil toneladas desse tipo de plástico em
cada 12 meses. Este volume é 400% maior que as 300 toneladas que eram
comercializadas em 2003, a um preço médio de R$200. A valorização do
produto chegou a 450%. Um fato que deve aquecer ainda mais esse mercado
é a liberação, por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
da produção de embalagens de alimentos usando o PET.
Souza já considera a reciclagem de PET um bom negócio, que, segundo ele,
tem um incremento de 20% ao ano e a tendência é melhorar ainda mais.
“Agora que o material poderá ser reutilizado para embalar alimentos,
iremos ampliar rapidamente nossa produção. Não posso falar em números,
pois estaria revelando segredos que podem fortalecer a concorrência”,
diz Souza.
Até agora, nenhuma organização obteve a licença da Anvisa, mas a Bahia
Pet atende aos requisitos da agência e deverá ser a única no estado a
conseguir a autorização. “Acredito que estamos prestes a viver o boom do
mercado de reciclagem das garrafas PET e precisamos estar preparados
para tal momento”, opina o presidente.
A chefe da assessoria de planejamento da Limpurb, Ana Vieira, crê que o
reaproveitamento do PET é importante não só para o meio ambiente como
também para a saúde da sociedade. “Aquelas embalagens entopem os rios e
servem como local de proliferação de doenças, como a dengue, por
exemplo. Sem falar que são as maiores causadoras dos alagamentos na
cidade”, conclui.
Salvador tem mais de 15 mil catadores
Estima-se que em Salvador existam entre 15 e 20 mil pessoas, entre
idosos, adultos e crianças catando latas e garrafas para reciclagem.
Muitos deles (na maioria dos casos os menores não são aceitos) se
organizam em cooperativas, que vendem o que foi recolhido para as
indústrias.
Apesar de ser uma saída para se ganhar um “dinheirinho” e em certos
casos um “dinheirão”, por outro lado, a garrafa PET tem sido motivo para
o trabalho escravo contemporâneo. Isso é o que acredita o diretor do
Centro de Estudos Socioambientais Pangea, Antonio Bunchaft. Segundo ele,
existem atravessadores – aqueles que fazem a intermediação entre o
apanhador e as empresas – que exploram essas pessoas. De acordo com o
diretor, esses atravessadores lucram até 633%, pois compram o quilo da
garrafa por R$0,15 nas mãos dos “escravizados” e vendem por R$1,10.
Uma boa saída para os catadores escaparem da mira dos atravessadores são
as cooperativas. Um exemplo é a Rede Cata Bahia – apoiada pelo Pangea e
Petrobras – criada com esse objetivo e que reúne apanhadores de material
reciclável de seis municípios do estado.
“Por conta do desemprego e dos baixos salários, muitas famílias nos
procuram e trabalham conosco, assim como zeladores e vigilantes de
condomínio. Todos querem contribuir e tirar um dinheirinho a mais”,
comenta o diretor da Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem (Coopcicla),
Josemário Anunciação.
Pet
O que é:
PET significa polietileno tereftalato – uma resina plástica e um tipo de
poliéster.
Como é feita a reciclagem:
Começa com uma lavagem química do material, depois passa por um processo
de fusão a 280º C, para então ser filtrado.
Tempo para se decompor:
No mínimo, cem anos.
Produtos feitos de PET reciclado:
Fibras para carpetes de poliéster, tecido – para camisetas, calçados
esportivos, malas, agasalhos, enchimento para sacos de dormir e casacos
de inverno – amarras e filmes industriais, peças automotivas (racks para
bagagem, caixas de fusível, pára-choques, painéis) e até novas
embalagens Pet.
Fonte: Jorge Velloso (Correio da Bahia) |
 



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