Reciclagem oferece oportunidade de negócios
O processo de reaproveitamento de
materiais utiliza apenas 17% dos resíduos sólidos descartados na capital
baiana, de acordo com estimativas da Empresa de Limpeza Urbana de
Salvador (Limpurb). O percentual, no entanto, não é preciso, já que não
contabiliza o trabalho dos catadores autônomos da cidade. “Atualmente,
não temos este controle, porque a maior parte da coleta é realizada por
catadores de rua, que não estão cadastrados”, admite a coordenadora
técnica da Limpurb, Fátima Sampaio.
Ainda segundo a empresa, a capital conta atualmente com pelo menos 24
cooperativas e associações de catadores, que empregam mais de 700
pessoas que têm a catação como única fonte de renda. A categoria cria o
elo entre a separação do lixo em casa e a venda para indústrias que
compram material reciclável. “A presença dos catadores em Salvador é
fundamental. Se não fosse por eles, a situação estaria bem pior”,
analisa o mestre em química analítica ambiental Roberto Márcio Santos.
Já com relação à Bahia, não há dados disponíveis, já que os programas de
coleta e reciclagem de lixo são conduzidos pelas prefeituras de cada
município, e não há uma centralização das informações. Porém, a pesquisa
Ciclosoft 2008, realizada pelo Cempre - Compromisso Empresarial para
Reciclagem -, revela que apenas 10 municípios baianos desenvolvem
programas de coleta seletiva: Alagoinhas, Camaçari, Eunápolis, Feira de
Santana, Jequié, Mirante, Mucugê, Muritiba, Vitória da Conquista e
Salvador.
Sem estrutura - A atividade dos catadores representa uma alternativa de
sobrevivência para estas pessoas que, com mais investimentos em
transporte e máquinas, poderiam aumentar sua produtividade e os ganhos.
“Hoje vendemos o quilo do PET (garrafas de refrigerante) inteiro a R$
0,75. Se tivéssemos uma máquina para granular o material, poderíamos
comercializar os flocos a R$ 4,00 o quilo”, explica o administrador da
Cooperativa de Reciclagem e Serviços do Subúrbio Ferroviário (Cooperssf),
Elias Pires dos Santos.
Dificuldades semelhantes são enfrentadas pelos membros da Cooperativa de
Coleta Seletiva, Processamento de Plástico e Proteção Ambiental (Camapet),
que funciona na Baixa do Fiscal. “Como não temos uma produção de grande
escala, acabamos vendendo mais barato e para atravessadores”, lamenta o
cooperado Jovane Bispo, 20. Ainda assim, o comércio dos resíduos e de
bijuterias feitas a partir do PET rende aproximadamente um salário
mínimo por mês aos catadores desta cooperativa.
Mercado verde – Economicamente, a reciclagem é interessante também para
as empresas que compram resíduos sólidos e os reaproveitam. Sem citar
números, o gerente industrial da Penha Papéis, Daniel Lucon, garante
que, no caso desta empresa, é mais vantajoso reaproveitar o lixo do que
comprar matéria prima. “Por mês, utilizamos mais de sete mil toneladas
de papelão, totalizando 85 mil toneladas ao ano. Esta quantidade (ano)
equivale a 1,7 milhões de árvores que deixam de ser cortadas”, ressalta.
Localizada em Santo Amaro da Purificação, a empresa utiliza 100% de
papelão descartado para a produção de papel.
De acordo com dados da pesquisa da Cempre relativos a este ano, na Bahia
há 33 fábricas de reciclagem, sendo que cerca de metade delas se
concentra na capital e municípios próximos: oito em Salvador, seis em
Feira de Santana e três em Simões Filho. Segundo Roberto Márcio Santos,
o mercado do reaproveitamento de resíduos tem grande potencial para
crescer em todo o país. “Do lixo domiciliar despejado em aterros no
Brasil, cerca de 20% poderia ser reciclado, mas acaba se perdendo com o
resto” afirma.
A ampliação dos programas de reciclagem de papelão e dos outros resíduos
domiciliares é apontado com o melhor caminho para desafogar os aterros
sanitários e evitar a retirada da natureza de grandes quantidades de
matéria prima. Mas este avanço só será possível com a participação do
cidadão, peça-chave na cadeia produtiva do lixo.
Fonte: Carolina Mendonça (A Tarde On Line) |
 



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