Reciclagem: um ato de cidadania
Ter em casa uma lixeira especial para
separar material que pode ser reciclado do lixo comum. A coleta seletiva
vem conquistando uma maior quantidade de adeptos na cidade com o passar
dos anos. Os números mostram que esse ato não é uma questão apenas de
simpatia por um estilo de vida sustentável, mas um imperativo para
manter a qualidade de vida da população e evitar uma maior degradação ao
meio ambiente. Ao contribuir para a reciclagem do lixo, o cidadão cumpre
com a obrigação com os resíduos que ele deposita no ambiente. A coleta
seletiva possibilita, a partir da reciclagem, que o plástico, papel,
vidro e metal - que iriam poluir as cidades - possam voltar a ser
matéria-prima de uma série de produtos, com menor impacto para o
ambiente. Além disso, a coleta também possibilita, de forma indireta,
que centenas de famílias mudem de vida com o dinheiro que recebem
recolhendo produtos para a reciclagem.
Todos os dias, a assistente social Maria de Farias, de 54 anos, analisa
bem o que joga no seu lixo. Materiais como latas, embalagens plásticas,
caixas de papelão, objetos de vidro não vão mais para o lixeiro comum da
cozinha. Cuidadosamente, Maria limpa os objetos que possam conter algum
resto de alimento perecível e coloca tudo o que separou em um saco
apropriado. Esse lixo terá um destino diferente. Ao invés de ser
encaminhado para o aterro, onde iria ser atulhado e levar até centenas
de anos para se decompor, o que a assistente social separou de forma
meticulosa vai seguir um caminho diferente, que irá culminar em um
destino mais nobre: será reciclado. Uma vez que o saco de lixo for
depositado na calçada da rua onde ela mora, no bairro de Cajueiro, vai
ser recolhido por um caminhão especial da Prefeitura do Recife, que faz
a coleta seletiva e encaminha esse material para a reciclagem.
O gerente de coleta seletiva da Emlurb, André Penna, explica que
reciclagem, objetivo final da coleta seletiva do lixo, é um termo
utilizado para designar um processo físico-químico ao qual certos
materiais são submetidos e que permite que eles voltem a ser
matéria-prima e possam ser reaproveitados pela indústria. Esse processo
minimiza a utilização de fontes naturais, muitas vezes não-renováveis e
diminui a quantidade de resíduos que seriam depositados no meio
ambiente, já que a decomposição desses materiais na natureza pode durar
de três meses, no caso do papel, até um milhão de anos - tempo que o
vidro demanda para se desintegrar.
A importância de se preservar o meio ambiente é assunto recorrente na
mídia, nas escolas, nas associações comunitárias e até nas igrejas. Cada
vez mais pessoas têm a responsabilidade de Maria, mas esse número ainda
é insuficiente. No Recife, de acordo com Penna, a coleta seletiva de
lixo no sistema porta a porta foi instituída pela prefeitura em 2001. No
início, eram atendidos apenas três bairros: Graças, Derby e Espinheiro.
Em 2004, o número subiu para 19 bairros, e por fim, desde 2006, 45
bairros, dos 94 que integram a cidade, dispõem desse serviço. Ainda de
acordo com o gerente de coleta seletiva, todos os meses são coletados
cerca de 160 toneladas de plástico, vidro, papel e metal, que irão se
transformar novamente em matéria prima. É pouco, se pensarmos que o
Recife produz 1.900 toneladas de lixo todos os dias. Desse total, cerca
de 20% a 25% poderia ser reciclado.
“Até ser recolhido pela Prefeitura, o lixo é responsabilidade de quem o
produziu. Fazer uma separação correta e buscar depósitos de coleta
seletiva é um ato de cidadania”, explica Penna. Ele afirma, ainda, que a
prefeitura pretende ampliar, nos próximos meses, a coleta seletiva porta
a porta, até que toda a cidade conte com esse serviço.
Fonte: Folha de Pernambuco |
 



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