Lixo vira desconto em conta
Garrafas pet e latas de alumínio agora
podem ser trocadas por um desconto na conta de água no Aglomerado da
Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A proposta de transformar
em economia o que era apenas lixo e sinônimo de poluição ambiental vai
beneficiar cerca de 80 mil pessoas que vivem em sete vilas e favelas no
local. Essa é a primeira expansão do programa Vale Água, lançado há dois
anos no Morro Santa Lúcia, também na Região Centro-Sul, para atender 30
mil moradores.
A troca do material reciclável pode ser feita no posto de atendimento da
Copasa dentro da Vila Cafezal, na Rua Serenata, 51. Nessa agência, os
produtos são pesados e o morador recebe na hora um comprovante com o
valor do desconto a ser dado na próxima conta de água. O que for
entregue pela comunidade tem valor médio de mercado, ou seja, um quilo
de embalagens pet (26 garrafas de dois litros) vale R$ 0,45. Já o quilo
de latas de alumínio (65 unidades) é equivalente a um desconto de R$
3,12.
Caso o material recolhido pelo morador seja maior que o valor da conta,
o crédito será acumulado para o mês seguinte. O bônus também pode ser
usado para quitar débitos anteriores com a Copasa, no entanto o programa
não prevê repasse de dinheiro aos participantes. Além de não estabelecer
um limite para a troca, o programa beneficia todos os tipos de
consumidores, sejam os de imóveis residenciais, comerciais ou públicos,
como associações comunitárias, escolas e igrejas.
Estímulo
Os principais objetivos do Vale Água são beneficiar os clientes de baixa
renda, estimular a reciclagem e diminuir o volume de lixo lançado no
meio ambiente. 'Além da economia na conta de água dos nossos
consumidores, o programa retira das ruas grande parte do material que
contaminaria a natureza por não ser biodegradável. Essas latas e
garrafas pet seriam jogadas nos rios, bueiros e fundos de vale e agora
serão reaproveitadas. O esforço dessas comunidades em recolher o
material para obter o desconto tem reflexos positivos para toda a
sociedade', disse o presidente da Copasa, Márcio Nunes.
Os produtos adquiridos pela Copasa serão repassados, pelo mesmo valor a
cooperativa Cataunidos, que reúne nove associações de catadores de
materiais recicláveis de várias cidades de Minas. Dentro do Aglomerado
da Serra, serão contempladas as vilas Fátima, Marçola, Nossa Senhora
Aparecida, Nossa Senhora da Conceição, Cafezal, Fazendinha e Vila
Izabel.
'Vai ser ótimo ver nosso lixo ser transformado em dinheiro. Com essa
economia que vamos fazer na conta de água, vamos poder pagar outras
despesas', contou a presidente da Associação de Moradores da Vila Nossa
Senhora Aparecida, Horizontina da Silva.
Já a líder comunitária da Vila Nossa Senhora da Conceição, Irene Lopes,
espera ver os becos do aglomerado mais limpos. 'Ficar livre do lixo vai
significar menos doenças, menos enchentes e mais beleza nas ruas', disse
Irene. No Aglomerado Santa Lúcia, o Vale Água teve boa aceitação entre
os moradores e, desde a sua implantação, em junho de 2006, já foram
recolhidos 91kg de latas de alumínio e 622kg garrafas pet.
Segundo o governador Aécio Neves (PSDB), o programa vai ajudar a
despertar, nas comunidades atendidas, a atenção para os cuidados com o
meio ambiente. 'O Vale Água pode ser visto por dois lados. O primeiro é
o desconto para os moradores e o segundo, a oportunidade para que os
jovens cresçam tendo consciência da importância de manter limpo o lugar
em que vivem', afirmou Aécio.
Fonte: Glória Tupinambás (Estado de Minas) |
 



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