Coleta seletiva tem baixa participação da população
Hoje 70% do município de Natal conta com
o Programa de Coleta Seletiva, coordenado pelo Departamento de Meio
Ambiente da Urbana. No total, 315 catadores, de quatro associações, se
dividem nas 80 áreas de atuação da cidade. Mas, o sucesso da coleta
seletiva não depende apenas do trabalho dos catadores. A população
também precisa colaborar.
“Tem muito material para ser coletado na cidade e pouca gente para
colaborar com os catadores. Já melhorou, mas as pessoas ainda não têm
conscientização de doar para reciclagem”, disse Maria Francileide
Vicente, que faz parte da Associação dos Catadores de Materiais
Recicláveis (Ascamar). Essa falta de ‘consciência’ da população acaba
prejudicando o rendimento dos catadores porque não conseguem ter um
salário fixo.
Segundo Francileide, todo o material vendido é dividido igualmente entre
os catadores que recebem por quinzena. “Nessa última quinzena a gente
recebeu R$115,00, foi um bom dinheiro, mas infelizmente, nem sempre é
assim”.
Segundo dados do IBGE, o Rio Grande do Norte produz cerca de 2.374
toneladas de lixo por dia. Mas para ter uma idéia da falta de
participação da população, no mês de abril foram recolhidas apenas 310
toneladas. Este montante foi recolhido nas modalidades porta a porta e
Programa Interno de Coleta Seletiva.
“Na primeira modalidade, os catadores vão de casa em casa recolhendo o
material. Já no PIC’s, eles recolhem o material de grandes empresas como
shoppings e supermercados”, explicou o diretor de Meio Ambiente da
Urbana Paulo Humberto dos Santos.
Depois de recolhido, todo o lixo é levado para a usina de reciclagem,
que funciona no antigo lixão de Cidade Nova. Nesse local, as associações
fazem a separação do material e o que não vai ser reciclado é levado
para o Aterro Sanitário da Região Metropolitana, em Ceará-Mirim.
“A triagem está sendo feita nos próprios galpões porque a usina está em
reforma, além disso estamos finalizando a reforma de cinco galpões. Até
o dia dez estaremos inaugurando. Com isso vamos melhorar as condições de
trabalho dessas pessoas”, garantiu o diretor de operações da Urbana,
Diogo Henrique dos Santos.
Visita de catadores segue roteiro
Mas o que muita gente reclama é a falta de regularidade da passagem do
caminhão da coleta seletiva. Muitos chegam a guardar o material por
vários dias, mas os catadores não vão buscar.
De acordo com Paulo Humberto, as associações têm um roteiro definido com
os bairros, dias e horários definidos e que geralmente são cumpridos.
“Acontece muito de os catadores passarem várias vezes numa mesma casa e
não ter quem receba. Ninguém é obrigado a ficar de plantão em casa,
esperando o caminhão passar. Mas quando não tem ninguém para doar seu
lixo, acaba prejudicando a coleta”, disse o gerente.
Mas com o objetivo de resolver esse problema, a Urbana vem reforçando,
desde o início do ano, o trabalho de conscientização da população sobre
a importância da coleta seletiva. Além disso, está sendo distribuído um
calendário com dias e horários específicos para cada bairro.
“Agora estamos expandido a quantidade de pessoas por área, ao invés dos
bairros. Orientamos os catadores a passar sempre nas casas, independente
de na vez anterior não ter tido material ou o imóvel fechado”, disse o
Humberto.
Ele disse ainda que qualquer reclamação ou informação sobre a coleta
seletiva pode ser obtida através do telefone 3232 8763.
Fonte: Junior Santos (Tribuna do Norte - RN) |
 



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