Novo método para reciclagem é apresentado
Um novo método para aproveitamento dos
resíduos de construção civil e demolição (RCD), 50% mais barato e com
consumo de energia 80% menor. Esse é o principal resultado de um estudo
realizado por pesquisadores da Escola Politécnica da USP (Poli/USP), do
Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL). O novo método dispensa a britagem do material a ser
reciclado, o que barateia o processo e torna viável a instalação de
pequenas usinas de reaproveitamento dos RCD. O método é tão inovador,
que está sendo patenteado.
Segundo o professor Vanderley John, do Departamento de Engenharia de
Construção Civil da Poli, um dos integrantes da equipe que realizou o
estudo, a tecnologia desenvolvida possibilita que usinas de reciclagem
simplifiquem a produção de matéria-prima para bases e sub-bases de
pavimentação a partir de resíduos da construção civil. “Atualmente, a
reciclagem de RCD passa necessariamente pela britagem (quebra dos
resíduos em pedaços pequenos, com no máximo 63 milímetros de diâmetro)”,
explica. "Isso encarece o processo, pois o britador representa mais da
metade do investimento total da montagem de uma usina de reciclagem. O
novo método reduz os investimentos iniciais e simplifica a operação das
centrais de reciclagem, o que torna viável um maior número de centrais
de reciclagem públicas ou privadas".
Aplicações
A nova tecnologia está baseada nos resultados de uma pesquisa com
amostras representativas de resíduos coletados em três cidades: Macaé
(RJ), Maceió (AL) e São Paulo (SP). “Coletamos 20 toneladas de resíduos
dessas três cidades”, explica John. “E constatamos que cerca da metade
dos resíduos tinha tamanho inferior a 63 milímetros; ou seja, poderiam
ser aplicados diretamente na composição de pavimentos, sem necessidade
da britagem”, acrescenta. Esta constatação levou a equipe a propor uma
forma extremamente simples de transformar resíduos em agregados:
separação manual do material indesejável ao processo, seguido de
peneiramento na bitola de 60mm e de uma nova remoção manual dos
contaminantes (madeira, papel, cerâmica), remanescentes da fração abaixo
de 63mm, que será comercializada como agregado de pavimentação.
Segundo John, o novo método poderá ser aplicado em ambientes urbanos e
adotado por prefeituras, cooperativas ou empreendimentos privados. “A
redução dos investimentos iniciais, dos custos e da complexidade de
operação facilita a introdução da reciclagem, inclusive porque reduz os
riscos. Assim, esperamos que essa tecnologia possibilite a ampliação do
número de usinas e a margem de lucro desse novo negócio”, ressalta. Em
conseqüência, evita-se a deposição ilegal desses resíduos nas margens de
ruas e rios, reduzindo os impactos ambientais, além de minimizar os
gastos das prefeituras com a gestão deles.
A nova tecnologia tem várias outras vantagens, a exemplo da redução do
consumo de energia elétrica (60 a 80%) em relação ao sistema de
reciclagem tradicional com britagem. “O novo método também torna
possível a implantação das usinas nas proximidades do mercado
consumidor, o que significa menores distâncias de transporte, que
corresponde a dois terços do preço final do produto”, diz. Outra
vantagem é que o sistema reduz de forma significativa a emissão de
material particulado e principalmente de ruídos na operação de britagem.
Assim, alternativas de desenvolvimento sustentável são incentivadas.
Além do professor Vanderley John, entre os pesquisadores da Poli também
participaram da pesquisa o professor Artur Pinto Chaves e a pesquisadora
Carina Ulsen, ambos do Departamento de Engenharia de Minas e de
Petróleo, e os pesquisadores Francisco Mariano Sérgio Ângulo (atualmente
no do IPT).
Fonte: itu.com.br |
 



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