Indústria de papel e celulose recusa cota para reciclagem
A indústria papeleira não está preparada
para atender às determinações do Projeto de Lei 2308/07, que obriga o
editor a utilizar papel reciclado em pelo menos 30% de suas publicações.
A opinião é do coordenador do grupo técnico de Meio Ambiente da
Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Robinson Cannaval,
em audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável.
Segundo Cannaval, seria preciso produzir mais 200 mil toneladas de papel
para cumprir a lei. Ele afirma que o País não tem capacidade para
coletar aparas de papel que sejam transformadas em papel reciclado em
quantidade suficiente para atender à demanda do projeto. Com isso, o
Brasil poderia ter de recorrer à importação de sobras.
O representante das papeleiras defendeu ainda que o papel branco
produzido no Brasil é ecologicamente eficiente. "A principal
matéria-prima do papel branco advém de florestas plantadas, com manejo
sustentável. Essa matéria-prima, além de renovável, consome gás
carbônico, principal responsável pelo efeito estufa".
Durabilidade e custo
O diretor da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros),
Frederico Wickert, que também participou da audiência, mostrou
preocupação com a durabilidade do papel reciclado. Mais da metade dos
livros editados no País tem finalidade didática. "São livros que
precisam durar pelo menos três anos, e são constantemente manuseados",
observou Wickert, que representa 26 editores de livros didáticos.
De acordo com o diretor, não há comprovação técnica de que o papel
reciclado tenha a mesma resistência do papel branco. Ele disse, ainda,
que o livro produzido com papel reciclado seria 30% mais caro.
Mudança no relatório
A deputada Rebecca Garcia (PP-AM), que solicitou a audiência, já tinha
feito um parecer favorável à aprovação, mas retirou o relatório de pauta
para ouvir as opiniões de especialistas na área. Ela afirmou que ainda
precisa coletar mais informações, mas admite mudar o parecer.
Para isso, a parlamentar ainda vai esperar outros dados que a indústria
do papel reciclado prometeu enviar. "Tudo isso vai ser levado em
consideração. Queremos fazer uma política ambientalmente correta, como o
Brasil tem adotado, mas também não queremos prejudicar ninguém".
Lixo
Segundo o autor do projeto, deputado Eliene Lima (PP-MT), cada tonelada
de papel reciclado poupa 60 árvores e também evita o desperdício de
petróleo e água. Ele cita estimativas de que 40% do lixo urbano
brasileiro seja constituído de papel.
Depois da análise pela Comissão de Meio Ambiente, o projeto, que tramita
em caráter conclusivo, ainda será votado pelas comissões de Educação e
Cultura, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: Agência Câmara |
 



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