Sem coleta seletiva, reciclagem pode fazer mais mal do que bem
É difícil encontrar alguém hoje que
ignore os benefícios da reciclagem para a preservação do planeta. O que
poucos parecem saber, no entanto, é que se o lixo não for separado na
fonte (ou seja, em casa) e levado separado até a hora de reciclar, os
benefícios na prática podem se perder.
A grande vantagem de reciclar é poupar a produção de um novo material.
Cada vez que se reutiliza um papel, se evita a derrubada de árvores.
Cada vez que se reutiliza um plástico, se evita o uso de petróleo. Isso
não quer dizer, no entanto, que a poluição do processo de reciclagem
seja zero. Ela simplesmente, na ponta do lápis, polui menos.
Segundo os especialistas, até 90% de todos os materiais usados pela
indústria podem ser reciclados. As exceções existem porque alguns
produtos não compensam ou financeiramente ou ambientalmente. Fraldas
descartáveis, por exemplo, causam mais poluição quando são recicladas do
que quando são produzidas.
O mesmo é verdade se o material original não estiver muito danificado. O
que se garante, com a separação do lixo na fonte. “Quando o resíduo é
separado e isolado, a contaminação é reduzida e isso torna tudo mais
fácil na hora de reciclar. É por isso que na reciclagem o resíduo de
mais valor é o industrial, que é separado com rigor”, explicou ao G1 o
engenheiro ambiental Sandro Donnini Mancini, da Universidade Estadual
Paulista (Unesp).
Se o lixo não é separado adequadamente, a contaminação dificulta a
reciclagem e pode deixar ela cara demais ou poluente demais. Papéis
sujos, por exemplo, precisam de muito alvejante para ficarem brancos.
Alvejante que é um poluente. Dependendo do estado do material original,
reciclar pode fazer mais mal do que bem.
Para comprovar isso na prática, Mancini realizou uma pesquisa onde
retirou sacolinhas plásticas de um aterro sanitário e as separou para
reciclagem. Já na pesagem o problema se mostrou: 40% do peso das
sacolinhas não era plástico, mas sujeira. “Antes de reciclar, é preciso
limpar. Isso vai gastar detergente. Dependendo do estado, não compensa”,
diz ele.
O engenheiro recomenda que todas as cidades procurem ter coleta seletiva
de lixo para reciclagem obrigatória. Mas entende porque isso não é uma
prioridade em muitos municípios. “O Brasil é um país cheio de problemas
sociais, então é justificável que os prefeitos prefiram se concentrar em
outros problemas, como saúde e educação”, afirma. “Mas é preciso tomar
consciência também que o lixo é um problema sério, que também afeta a
saúde. Reciclar faz bem para o meio ambiente e para a saúde da
população”.
Fonte: G1 |
 



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