Óleo de cozinha e reciclagem
Quase todo mundo aprecia um quitute
frito. É uma tentação difícil de recusar. No entanto, pouca gente sabe
qual é a maneira adequada de descartar o óleo de cozinha usado. Trata-se
de um resíduo extremamente poluidor – um litro de óleo inviabiliza
outros mil litros de água.
A equação para resolver esse problema não é simples. De um lado, falta
consciência ambiental sobre a importância da reciclagem de resíduos
sólidos e líquidos (que, reaproveitados, deixarão de poluir o meio
ambiente); de outro, faltam políticas públicas que propiciem e
incentivem a reciclagem dos resíduos.
Atualmente, existem apenas iniciativas pontuais. É o caso de 12
condomínios da cidade de São Paulo que começaram o projeto piloto “Óleo
Vivo”. Os síndicos dos prédios fazem o trabalho de conscientização para
que os moradores descartem o óleo usado nas bombas coletoras. Ganha a
natureza e ganha o próprio condomínio, já que o óleo de cozinha
despejado no ralo é responsável pelo entupimento de canos e tubulações.
Outra iniciativa desta natureza é o projeto “Óleo da Fraternidade”, da
diocese de Santo André. Nele, a comunidade é incentivada a levar o
resíduo em embalagens PET para qualquer paróquia da região do ABC.
A igreja se encarrega de destinar o óleo usado para empresas que
fabricam ração animal e biocombustíveis.
Alternativas como essas visam colaborar para a solução do problema, mas
é necessário ir além. É preciso que o poder público aja também.
Aliás, deveria ser o primeiro a dar o exemplo. Cabe ao Estado
implementar políticas eficientes e que estejam ao alcance de todos os
cidadãos.
Por essa razão, torço para que meu projeto Programa de Reciclagem
Ambiental Participativa (Perap), que foi aprovado pela Assembléia
Legislativa Paulista, seja sancionado pelo governador José Serra. Caso
isso ocorra, todas as instituições públicas estaduais de ensino integral
ou Escolas da Família se tornarão postos de coleta seletiva de materiais
recicláveis, inclusive óleo de cozinha usado.
As escolas e universidades, abertas à comunidade, estabelecerão
convênios com cooperativas de reciclagem, que ficarão responsáveis pelo
recolhimento e destinação do material. O lucro proveniente será
reinvestido na própria instituição de ensino. Ganha a escola, que
cumprirá seu papel de educar e ainda terá uma fonte extra de renda, e
também as gerações futuras, que se tornarão mais conscientes. Só com
políticas públicas eficientes poderemos traçar planos para que, um dia,
a reciclagem se torne uma saudável rotina.
Fonte: Vanessa Damo - Deputada Estadual pelo PV (A Tribuna -SP) |
 



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