Ciberverdes
A quantidade de equipamentos eletrônicos jogados fora
é tanta que esses produtos passaram a compor uma categoria especial de
lixo, o e-lixo (em inglês, e-waste). Ele representa 2% de todo o lixo
produzido pelos EUA e 70% do lixo tóxico.
Para enfrentar esse problema, alguns países vêm criando políticas
específicas de reciclagem para a indústria eletrônica. Na União
Européia, na Coréia do Sul, no Japão e em Taiwan, governos exigem que as
fabricantes se responsabilizem pela reciclagem de 75% do que é
descartado.
No Brasil e em outras regiões onde faltam diretrizes, leis e políticas
consolidadas sobre o tema, cresce o papel desempenhado pelo consumidor.
O interessado na militância ciberverde deve dar preferência a marcas que
tenham alguma preocupação ambiental, como descartar o uso de algumas
substâncias químicas em seus processos de produção ou adotar programas
de reciclagem ou de coleta de aparelhos usados.
Segundo o Gartner, computadores e servidores são responsáveis por 0,75%
das emissões de dióxido de carbono no mundo.
No uso diário, alguns cuidados podem ser efetivos para reduzir o consumo
de energia.
Entidade fiscaliza fabricantes de micros
O Greenpeace comemora o panorama traçado
por seu Guia dos Eletrônicos Verdes, que, em sua quarta edição, mostra
que as empresas estão mais comprometidas com o ambiente. O documento
acompanha 14 fabricantes de eletrônicos e elabora um ranking que leva em
conta as políticas de descarte e reciclagem de equipamentos e a
utilização de elementos nocivos na produção.
"A vitória foi a Apple ter tirado substâncias tóxicas de seu processo de
fabricação", afirma Ricardo Baitelo, da campanha de energia renováveis
do Greenpeace.
A empresa de Steve Jobs saiu do último lugar e subiu para a décima
posição com o compromisso de eliminar de seus produtos PVC (policloreto
de vinila) e BFRs (retardantes de fogo bromados) até o final de 2008.
A fabricante também se comprometeu a reciclar 9,5% do que vendeu nos
últimos sete anos - índice que, segundo ela, chegará a 28% em 2010.
Embora nenhuma das empresas avaliadas tenha obtido nota dez, a Nokia é
quem teve melhor desempenho, com nota oito. A pole-position é
justificada pela eliminação completa do PVC e parcial dos BRFs.
Além disso, a finlandesa, que é a maior fabricante de celulares do
mundo, apóia a política de Responsabilidade Individual de Produtoras,
pela qual cabe a cada fabricante recolher os produtos de sua marca que
forem descartados.
Mas nem só de danos ao ambiente vivem os eletrônicos. "Eles não estão
entre os maiores consumos residencial ou comercial. Iluminação,
ar-condicionado e chuveiro elétrico continuam na frente", diz Baitelo.
Segundo ele, esses aparelhos, em certa medida, até fazem bem. "Se você
pensar por uma questão de comunicação e até filosófica, há o grande
benefício dos computadores e da internet na redução de outras emissões.
O transporte de informações economiza o deslocamento de pessoas. É um
balanço positivo no final das contas", afirma.
Por mercado, empresa vira ciberverde
Embora seja difícil determinar até que ponto a política verde de uma
empresa realmente interfere na escolha de um produto, os consumidores
são cada vez mais encorajados a optar por empresas atentas aos problemas
ambientais.
Um reflexo disso é o empenho de muitas companhias de informática em
adotar programas de reciclagem, em reduzir o consumo de energia de seus
aparelhos e de dispensar o uso de elementos tóxicos nos processos de
produção.
Das oito fabricantes ouvidas pela Folha - Apple, Dell, HP, LG, Motorola,
Nokia, Sony e Sony Ericsson - apenas uma disse não contar com programas
relacionados com a preservação ambiental, a LG.
Projetos
"Uma Apple Mais Verde" é o nome do projeto ecológico da Apple, que
engloba o fim do uso de elementos químicos tóxicos e o aumento do número
de toneladas recicladas.
A Dell promove um programa de coleta de equipamentos usados que é
encadeado em projetos de inclusão digital. Em parceria com a Fundação
Pensamento Digital, as máquinas são recolhidas, recondicionadas e
doadas, criando uma opção ao descarte. Além disso, a empresa afirma
seguir as normas de redução de chumbo.
Já a HP conta com um programa de devolução de baterias usadas e vem
diminuindo o uso de resinas plásticas nos cartuchos de impressão e nas
embalagens. Há reciclagem para cartuchos de jato de tinta e toners, e
papéis usados são revertidos em embalagens.
A Motorola investe na reciclagem de baterias e de celulares e dá
informações aos interessados em participar do programa pelos telefones
4002-1244 ou 0800-773 1244.
Outra a investir na reciclagem é a Nokia, que afirma que as caixas de
seus produtos contêm explicações sobre como descartar baterias e usar a
rede de coleta de portáteis usados. A empresa também restringe o uso de
substâncias tóxicas.
Mercúrio, cádmio e chumbo foram removidos dos produtos da Sony, que
coleta pilhas e baterias em postos autorizados.
A Sony Ericsson conta com sistema semelhante e recolhe baterias e
aparelhos em assistências ou postos de coleta. A solicitação para
retirada pode ser feita no www.gmcons.com.br/baterias.
Fonte: Mariana Barros (Folha de S.Paulo - SP) |
 



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