Alta da resina redireciona a cadeia do plástico

As indústrias da segunda geração petroquímica Braskem, Ipiranga Petroquímica e Suzano Petroquímica programam reajustes de 10% a 15% nos preços das suas resinas termoplásticas. Com isso, a cadeia de transformação decidiu antecipar suas compras e estoques de plásticos, e já estuda adquirir o produto via importação por conta da alta dos preços nacionais.

Um levantamento da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas (Coplast) mostra que, de janeiro a março de 2006, as vendas internas de termoplásticos cresceram 14,5% em relação ao mesmo período de 2005, somando 812,2 mil toneladas, ante as 708,9 mil do ano anterior. A produção de resinas, no período, cresceu 11,68%, atingindo 1,1 milhão de toneladas. “Além do anúncio do aumento de preço da segunda geração, o baixo estoque impulsionou o aumento da demanda da indústria de transformação”, avalia José Ricardo Roriz Coelho, coordenador do Coplast e presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp). A Ipiranga Petroquímica (IPQ), que havia anunciado em março reajustar, a partir de abril, de 10% a 15% o preço do polietileno de alta densidade (PEAD) e do polipropileno (PP) voltou atrás e preferiu aplicar o reajuste em partes devido à dificuldade na negociação com os transformadores, que não conseguem absorver os aumentos. Neste mês, a IPQ já obteve reajuste médio de 5% a 10%. “E esperamos conseguir repassar o restante em maio”, afirma Eduardo Tergolina, diretor comercial da empresa. Segundo ele, as vendas da IPQ, em volume, foram de 12% a 15% superiores no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2005, porém a alta do preço do barril do petróleo, na faixa dos US$ 65 a US$ 70, reduz as margens da petroquímica. “No caso da exportação, em que competimos com os fabricantes internacionais que contam com preços mais atrativos que os nossos, tivemos uma retração de 5%”, cita Tergolina. Já a Suzano Petroquímica, líder na produção de PP na América Latina, afirmou que irá atualizar em 10% o preço de suas resinas — assim como a Braskem — e não descarta novos reajustes no segundo semestre de 2006. “Estamos repassando o preço que não conseguimos atualizar há dois meses”, afirma Roriz Coelho, também diretor superintendente da Suzano.

A Bahia PET, que produz 420 milhões de pré-formas de polietileno tereftalato (PET) por ano para embalagens de bebidas carbonatadas e não carbonatadas, avalia o reajuste “inoportuno” ao segmento. Roberto Carlos de Souza, presidente da companhia, diz que o setor passa por uma grande retração, principalmente, no segmento de embalagens.

A Rionil, fabricante de embalagens de PVC, e a Fibranew, produtora de artefatos de vidro, sediadas no Rio de Janeiro, afirmam que não têm como absorver novos aumentos e que se verão obrigadas a repassar na íntegra os reajustes para os clientes. A Rionil, que compra de 400 a 500 toneladas de PVC por mês, tem como principal fornecedora a Braskem, que já tentou reajustar seus preços este ano, mas encontrou resistência por parte da companhia. A Rionil teme não ser bem-sucedida em uma nova queda-de-braço num momento em que começa a sofrer forte concorrência de empresas argentinas, em função do Real apreciado. A disputa com os estrangeiros já é percebida nas vendas da companhia. “O ano começou pior do que esperávamos”, afirmou uma fonte da empresa. Com o reajuste, as vendas de 600 toneladas mensais de embalagens tendem a cair, segundo esta fonte. Com um faturamento de US$ 10 milhões, a Rionil ainda não foi comunicada sobre o reajuste, embora a Braskem seja sócia da empresa, com um terço das ações da companhia. De acordo com a Rionil, as negociações se dão como com os demais clientes da petroquímica: não há acordos de exclusividade ou condições diferenciadas de compra. Vera Rodrigues, responsável pelo setor de compras da Fibranew, que consome resinas de poliéster para confecção de peças de vidro, afirma que a companhia já sofreu aumento de outros insumos como álcool e do redutor. “Não vamos suportar mais um reajuste”, diz. Segundo ela, as empresas consumidoras de produtos petroquímicos estão trabalhando no limite da margem de lucro. Ela lembra que o último reajuste do poliéster foi em meados de 2005.

A Polo Films, que adquire 100% de seu polipropileno (PP) de fabricantes nacionais como Braskem, IPQ e Suzano Petroquímica, já sente os impactos do reajuste. Sem detalhar o repasse que vem sofrendo, a companhia, que tem uma capacidade produtiva de 66 mil toneladas anuais de filmes de polipropileno biorientado (BOPP), afirma que a demanda reprimida do primeiro trimestre de 2006 e o dólar baixo podem estimular a importação de resina. “Avaliamos constantemente a opção de importação de resinas das mais distintas regiões do mundo. Se o preço do produto nacional continuar a subir, podemos voltar a adquirir do exterior, como já fizemos em anos anteriores”, afirma Jorge Vargas Cardoso, presidente da Polo Films, pertencente à Unigel Química.

A “equação” que ditará a compra da resina externa analisará não apenas o preço do produto final mas também os impostos que interferem na composição do valor da resina.

Além das altas dos preços locais, Cardoso afirma que a vantagem da resina internacional está na carga tributária. “O Brasil tem acordos bilaterais com alguns países, a exemplo do Peru, em que o imposto de importação para itens desse país é zero”, justifica.

Sérgio de Paula Funchal, diretor comercial da Expambox, acrescenta que a empresa ainda não sentiu o aumento de preço, porém também admite avaliar o mercado internacional, caso o produto interno deixe de ser competitivo. Fabricantes de acessórios para banheiro, a Expambox utiliza 12% de PP em sua produção.

“Além de comprar resina fora do País, como da China, podemos compensar o aumento de preço do plástico adquirindo outros materiais usados em nossos produtos a um preço mais barato, como é o caso do alumínio”, conclui Funchal.


Fonte:  DCI