Materiais ecológicos ganham espaço na construção de casas

Telhas e pisos feitos de embalagens de leite longa-vida. Revestimentos fabricados com pneus de bicicleta reciclados. Tijolos ecológicos. O que há pouco tempo não passava de idéia, para alguns meio maluca, de engenheiros, arquitetos e projetistas considerados alternativos hoje está disponível em escala industrial.

Quem quiser erguer uma casa, do alicerce aos acabamentos e se estendendo à decoração, usando apenas materiais de construção que não agridam o meio ambiente, já pode. Uma amostra do que o mercado oferece para a construção dita ecologicamente correta pode ser vista, até o dia 15 de novembro, em uma exposição de materiais ecológicos e tecnologias sustentáveis para arquitetura e construção, que acontece em São Paulo.

Escala industrial – O que está na mostra não é apenas conceitual. "Há laudos técnicos que atestam a viabilidade do uso desses materiais na construção civil", afirma Márcio Augusto Araújo, do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (Idhea), coordenador da exposição.

É o caso, por exemplo, das telhas feitas de tubos de creme dental. Quando expostas à luz solar e a chuvas, as telhas fabricadas com os tubos apresentam resistência semelhante à dos materiais tradicionais. O mesmo acontece com os pisos feitos de embalagens de leite longa-vida e sucos. O revestimento é totalmente impermeável, ou seja, de fácil manutenção em uma casa.

Tijolo ecológico – Na construção ecologicamente correta, a estrutura pode ser feita com tijolos que não contêm argila em sua composição e sim areia retirada de entulho. Para as paredes internas, é possível optar por palha de arroz seca. Compactado em placas, o material é semelhante à dry wall (parede com porcentagem de gesso na composição) utilizada pelas construtoras em edifícios. A palha de arroz tem uma vantagem: não propaga chamas.

O mercado tem soluções que não agridem o meio ambiente até para as estruturas elétrica e hidráulica: canos feitos de embalagens de refrigerante (as pets) recicladas e fios elétricos de baixo impacto ambiental. A casa ecologicamente correta pode ter ainda triturador de resíduos orgânicos (que transforma cascas e restos de comida em adubo para plantas), coletor de água de chuva, e miniestações de tratamento de esgoto (que obtêm até 98% de água pura usando apenas bactérias no processo).

A decoração também pode ser ecologicamente correta. O escritório Paiz, de Santos, projeta móveis com bambu, árvore cujo corte tem pequeno impacto ambiental.

A mostra, que vai até 15/11, pode ser visitada das 9h às 20h
Faculdade Cantareira
rua Marcos Arruda, 729 - Belém

Fonte: Rejane Aguiar