Gás Natural: Economia e preservação do meio ambiente

O gerente de gás do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Azzi, o Secretário de Transportes Metropolitano, Jurandir Fernandes, o comissário geral de Serviços Públicos de Energia, Zevi Kann, a assessora do secretário Estadual do Meio Ambiente, Luz Dondero, o representante do secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, e o presidente do Sindicato dos Energéticos, Djalma Oliveira, apresentaram suas considerações a uma platéia que reuniu empresários, especialistas e usuários do transporte coletivo. A preocupação com a utilização de um combustível alternativo de qualidade, que proteja o meio ambiente e ao mesmo tempo proporcione economia para empresário e usuários, foi o eixo adotado pelos expositores do seminário O Gás Natural no Transporte Coletivo Metropolitano.

Financiamento
Paulo Azzi, do BNDES, afirmou que a instituição está disposta a criar incentivos para os empresários que quiserem fazer a troca de sua frota de ônibus, em sua maioria composta por veículos a diesel - mais poluente e caro, já que o diesel, apesar de ser mais barato que o álcool e a gasolina, exige das empresas alto gasto com manutenção. "A carteira de projetos do BNDES é de 2,5 bilhões de reais, e o banco personaliza o pagamento do financiamento de acordo com as possibilidades de cada empresário". Azzi declarou que o financiamento para os veículos movidos a gás natural é de 90%, com 12 meses de carência e 60 meses para amortização da dívida, condições melhores que as oferecidas para financiamento de veículos à diesel, "que ainda têm um agravante: as restrições ambientais", lembra o representante do BNDES.

Dúvidas e desconfianças
Além da preocupação com o meio ambiente e a economia proporcionada pelos veículos a gás, o secretário de Transportes Metropolitanos enfatizou a desconfiança dos empresários do setor em fazer investimentos altos, já que prevalece uma situação de instabilidade do setor, marcada pela ausência de definição no tocante às concessões públicas; adiciona-se ainda que, de tempos em tempos, as normas são alteradas de acordo com a política vigente.

Jurandir Fernandes lembrou que recentemente os empresários do setor foram pegos de surpresa com a expansão do transporte clandestino. A situação se agravou ainda mais entre os anos de 1995 e 1997, quando houve um "boom" de perueiros na cidade que, até dois anos atrás, disputavam passageiros em meio à desorganização do sistema de transporte.

O secretário enfatizou a escassez de "combustível fóssil", derivada de sua natureza não-renovável, e declarou que a população não pode ser ainda mais onerada com o aumento das tarifas do transporte coletivo. Segundo ele, as montadoras se comprometeram a efetuar a conversão dos veículos. Portanto, "cabe ao poder público e aos agentes financeiros atrair o empresariado para essa batalha. Se houver clareza nas explicações, a discussão não será difícil", disse o secretário.

Preço e meio ambiente
Zevi Kann declarou que o avanço da distribuição de gás natural está vinculado à criação de uma política justa de preços, "que deve ser igual em todo o país". Já a questão do meio ambiente foi amplamente difundida por Luz Dondero, assessora do secretário de Meio Ambiente, José Goldemberg. A especialista lembrou que há um ano havia muitas dúvidas sobre a eficácia da conversão de veículos sob o ponto de vista ambiental. Segundo ela, esse processo seria 100% seguro se os carros já viessem transformados das montadoras. "Agora, se o proprietário fizer a conversão em uma mecânica a poluição será menor, mas continuará ocorrendo".

O representante do secretário municipal dos Transporte, Jilmar Tatto, afirmou que a atualização da frota de coletivos é um desafio para a Prefeitura de São Paulo, "que herdou uma frota com veículos obsoletos e altamente poluidores".

Roberto Brederode falou sobre Paulistão, um sistema integrado de transporte coletivo, que deverá ser inaugurado até o final do ano, que pretende agilizar o transporte e minimizar o impacto ambiental da cidade. "Para essa proposta, o sistema de gás natural é muito importante", ratificou Brederode.

Treinamento
Outra questão abordada foi o procedimento correto na hora de abastecer os carros movidos a gás. Para Djalma de Oliveira, do Sinergia, a falta de esclarecimentos sobre o GNV ainda é grande em decorrência do crescimento acelerado do setor. "Para se ter uma idéia desse crescimento, só no Estado de São Paulo existem 196 postos credenciados para abastecer os veículos a gás, e 596 em todo o Brasil".

Fonte: Assembléia Legislativa do Est. de SP