Reciclagem: uma preocupação de poucos

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 COSMO FERNANDO PACETTA


Formado em Administração de empresas pela FEOB (São João de Boa Vista) - em 1987.

Diversas especializações nas áreas: Tecnologia de Polímeros, Marketing e Comunicação.

Cursou até o 4º ano de Direito com várias especializações em assuntos jurídicos.

Atualmente dedica-se ao estudo do Franchising no Brasil, tendo se formado na 32º turma da  Franchising University.

 

 


Reciclagem: uma preocupação de poucos

(*) Por Cosmo Fernando Pacetta

E o case está criado, aceito e estabelecido. Em 10 anos, conseguimos conquistar a aceitação da reciclagem no mercado. Transformando material plástico em produtos viáveis, fizemos da Juntafácil uma empresa verdadeiramente ecológica, que respeita e preserva o meio ambiente, embora essa tarefa não tenha sido das mais fáceis.
O trabalho de reciclagem exige esforço, boa vontade e conhecimento. Exige uma cuidadosa seleção do material a ser reciclado, para seguir na preparação, extrusão e injeção das peças. Portanto, reciclar é tão caro quanto usar matéria-prima virgem.
O controle da reciclagem é rigoroso. Atualmente, requer pessoal treinado e escolha adequada e perfeita dos materiais, sobretudo diante da infindável quantidade de plástico processada nos últimos anos.
É indiscutível que cada vez mais, a reciclagem se torna necessária. Na Juntafácil, estamos cumprindo com a nossa parte. Há cerca de 10 anos, produzimos espaçadores, perfis e inúmeras peças para a construção civil, com materiais reciclados.
Um dos grandes problemas que enfrentamos, e é o mesmo enfrentado por tantas outras indústrias que trabalham com reciclagem, é a política de impostos adotada pelo governo, que insiste em tributar materiais já foram utilizados e que, portanto, já responderam por suas responsabilidades. Esse sistema vem inviabilizando a transformação do plástico. Não existe qualquer tipo de incentivo ou isenção de impostos, por parte do governo. Se este não estudar rapidamente a questão ambiental e a questão tributária sobre os materiais reciclados, certamente daqui a cinco anos, teremos um rio de PETs substituindo o rio Tietê. Principalmente a partir do estágio em que as grandes cervejarias, no Brasil, despertam para a substituição do vidro pelo plástico, e acredita-se que, daqui a alguns anos, o PET para cerveja será tão competitivo quanto outras embalagens.
De acordo com reportagem publicada pela Revista Pack, em julho do ano passado, "a novidade está deixando o setor eufórico, pois aguça a concorrência entre fabricantes de vidro e plástico. A previsão é que as garrafas de PET comecem a circular a partir do segundo semestre deste ano, e a meta inicial dos fabricantes prevê que a resina PET cerveja conquiste pelo menos 10% do mercado, o que significa 800 milhões de litros de cerveja.
O texto informa ainda que a Abividro-Associação Técnica Brasileira das Indústrias automáticas de Vidro observou, no ano passado, que das 869 mil toneladas de embalagens que as vidrarias forneceram, 67%, ou seja, 582 mil toneladas, destinaram-se a bebidas, e desse total 378 mil toneladas acondicionaram cervejas.
A entidade lançou, conforme destaca a reportagem, programas de coleta de garrafas que podem ser trocadas por alimentos, cobrindo cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju, Fortaleza e Recife. Ressalta, ainda, que o Brasil é o quarto produtor mundial de cerveja, com produção de 8,2 milhões.
Portanto, se a atitude do governo persistir, teremos milhões de garrafas não-retornáveis, gerando um grave problema ecológico para o país, onde existe um consumo de líquidos similar aos países de primeiro mundo, mas nenhuma política de incentivo para a reciclagem. No Brasil, os plásticos ocupam entre 15 a 20% do volume do lixo brasileiro.
Nos Estados Unidos, toda a comunidade investe em reciclagem de materiais, e conta com apoio do governo nesta ação. E o fabricante tem uma série de instrumentos de incentivo. No Brasil, o governo precisa partir para uma política de apoio a reciclagem semelhante. Senão houver incentivos fiscais, para favorecer a indústria de reciclagem brasileira, deduzindo inclusive impostos na venda de transformação de sucata, vamos criar um grave problema. Basta olharmos para qualquer rio, hoje já coberto por PETs, que ajudam a causar enchentes e a entupir esgotos, aumentando cada vez mais os custos de manutenção pública.
A revista Plástico Moderno noticiou, na edição de setembro de 2000, que a "capital paulista gera em torno de 12.500 t/dia de lixo. Quase metade desse volume é passível de reciclagem, conforme mostra um estudo do Cempre-Compromisso Empresarial para a Reciclagem, sendo que o plástico responde por 22,9% desse montante.
Hoje, as indústrias que adotaram os sistemas de reciclagem o fazem por conta própria, e são puros idealistas, pois enfrentam os mesmos custos se fabricassem com matérias-primas virgens. O custo operacional da reciclagem também enfrenta altas deduções de impostos, ao passo que quando tira o lixo das ruas e o transforma, continua pagando imposto.
Se as cervejarias usarem o sistema PET, essa política tributária precisa mudar. Existe um grande descaso, talvez falte um líder que levante esta bandeira, alguém sinceramente preocupado com o meio ambiente em que vivemos, para mudar tal realidade.
Dentro de cinco a seis anos, viveremos um caos insustentável. No setor da construção civil, e em seu segmento, pelo menos, a Juntafácil é pioneira no uso de materiais recicláveis, e continua sendo a única indústria a adotar este sistema. Excetuando-se a atitude de pequenas empresas, ninguém está preocupado em retirar estes resíduos plásticos em favor do meio ambiente.

(*) Cosmo Fernando Pacetta é diretor-presidente do Grupo Juntafácil

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