A Industria e a Reciclagem
Neste final de século e inicio de um novo milênio, a nossa sociedade, e em particular a
industria do Estado de São Paulo depara-se com um problema de dimensões fantásticas,
que é a destinação de resíduos sólidos de forma ecologicamente correta.
Perto de 97 % ( noventa e sete por cento ) de nossas Prefeituras dão uma destinação
inadequada ao Lixo produzido em seu território, segundo a Secretária de Meio Ambiente,
os chamados Lixões, que estão saturados e com sua vida útil chegando ao fim.
Nas regiões metropolitanas, o problema atinge um grau de dificuldade quase
intransponível, devido a falta de novos locais compatíveis para a sua instalação.
Cabe a nós, neste momento dar-mos uma resposta ecologicamente correta e que tenha apelo
econômico, de forma a atrair capitais, nacionais ou não, para resolver este problema.
Em primeiro lugar devemos encarar a solução, como uma oportunidade de negócios e não
como um transtorno em nossas vidas.
O lixo em nosso Estado, seja doméstico ou de origem industrial, é destinado em:
- 70% ( setenta por cento ) dos casos a Lixões
- 13 % ( treze por cento ) a Aterros Controlados
- 10 % ( dez por cento ) a Aterros Sanitários
- 1 % ( hum por cento ) é tratado e reintroduzido na cadeia
produtiva.
Vale salientar que o chamado lixo domestico tem uma
composição assim distribuída :
- 62 % ( sessenta e dois por cento ) de Orgânico e ou outros;
- 19 % ( dezenove por cento ) de Papel e / ou Papelão;
- 04 % ( quatro por cento ) de Metais;
- 04 % ( quatro por cento ) de Vidro; e
- 11 % ( onze por cento ) de Plásticos (dependendo da região
este índice poderá ser superior).
A nossa proposta é de encontrarmos maneiras de alongar a
vida útil destes Lixões, gerando novas oportunidade de negócios, de forma a minimizar
os custos sociais e financeiros envolvidos.
A grande dificuldade é que, até agora o problema tem sido enfrentado de forma extremada,
seja por aqueles que desejam alguma solução copiada dos países de primeiro mundo, ou
por aqueles que não desejam a mudança do modelo atual, porque o mesmo lhe é
conveniente, e desta forma estamos caminhando para um colapso total do nosso sistema de
coleta e destinação de resíduos sólidos.
A nossa proposta vai em busca da solução, e propomos uma alteração na forma hoje
adotada para o recolhimento do Lixo, doméstico e industrial em Lixo Seco e Lixo Molhado,
em substituição ao complexo método de Coleta seletiva que foram tentados até agora, de
forma a possibilitar um fácil manuseio do mesmo no seu destino final, criando assim um
negócio rentável na reciclagem destes materiais.
O chamado Lixo Molhado, será recolhido em determinados dias e será destinado à
compostagem simples e ou a Verme compostagem, transformando um problema em uma fonte de
lucro, pois existe uma demanda reprimida para este produto, seja na agricultura ou na
jardinagem de interiores nos grandes centros urbanos.
Para seleção e classificação dos materiais recicláveis basta a instalação de uma
Usina de Reciclagem, para a separação do chamado Lixo Seco, onde classificaremos os
materiais: Vidros, Metais, Papeis e Papelão e os Plásticos.
Os Metais são compostos em:
- 95% ( noventa e cinco por cento ) de Ferrosos
- 5 % ( cinco por cento ) de Alumínio;
Os Plásticos tem sua composição assim distribuída:
- 10% ( dez por cento ) de Polipropileno;
- 21% ( vinte e hum por cento ) de PET;
- 14% ( quatorze por cento ) de PVC;
- 37% ( trinta e sete por cento ) de Polietileno de Alta e de
Baixa Densidade; e
- 18% ( dezoito por cento ) de outros plásticos Rígidos.
A Usina de Reciclagem é uma instalação simples, composta
de uma esteira de Triagem Manual, de aproximadamente 15 metros de comprimento e 8 postos
de trabalho, onde os materiais são separados em até 16 classes e encaminhados para uma
Linha de acabamento.
Os metais são prensados, tomando-se em consideração a sua origem, em ferrosos e
alumínio;
Os papeis e papelão são prensados e enfardados;
Os vidros separados por cor, triturados e embalados para destinação à industria e os
plásticos depois de classificados, têm dois destinos :
o PET e o PVC são levados para as Baias das Linhas de acabamento;
e os outros para as Baias da Linha de Reciclagem de Plásticos Rígidos e da Linha de
Reciclagem de Plásticos Filmes.
O material orgânico não selecionado cai em uma peneira rotativa, que por sua vez
alimenta a Tremonha que carrega os caminhões basculantes que irá dispor o material em
leiras para Compostagem.
O material não peneirado sai no final da peneira e é conduzido aos caminhões que o
levarão para o aterro sanitário.
Esta operação reduz em 70 % ( setenta por cento ) no mínimo a tonelagem de Lixo
destinado ao aterro.
Cabe neste instante uma pergunta, por que não foi encontrada a solução para tão grave
problema se é tão simples e fácil de equacionar uma solução para o mesmo?
Várias são as razões, mas acreditamos que a principal delas é que até este momento
não abordamos a sua solução como uma oportunidade de negócios e sim como uma ação
meritória, onde iríamos resolver o problema dos outros. Neste momento não só estamos
pensando no problema sanitário das Prefeituras, mas principalmente em uma forma de
obtermos recurso resolvendo um problema que é de todos.
O mercado de materiais reciclados envolve quantias significativas, se levarmos em conta
por exemplo que o Brasil consome 10 bilhões de reais de materiais Plásticos, 100% ( cem
por cento ) recicláveis e que o nosso Estado de São Paulo consome sozinho 40 % (
quarenta por cento ) deste total.
Se tivermos uma meta conservadora de reciclarmos em nosso Estado 30 % ( trinta por cento )
do plástico aqui consumido estamos falando de R$ 1.200,000,000, 00 ( hum bilhão e
duzentos milhões de reais ) por ano.
Para que isto seja uma realidade é necessário que seja disciplinada a coleta de Lixo
domiciliar, separando o Lixo Seco do Molhado, de forma a garantir a qualidade dos
materiais recolhidos, onde se destaca o Plástico que como já dissemos que é 100 % ( cem
por cento ) reciclável, e que seja alterada a sistemática de cobrança de ICMS e IPI,
que incidem de forma agravante sob a sucata de Plástico, e desigual em relação a outras
sucatas.
O IPI incidia em 12 % sobre o plástico e continua com 5% tal qual a matéria prima
virgem, sendo que sobre a Mica, Coque de petróleo calcinado ou não, Betume e outros
resíduos dos óleos de petróleo e ou de minerais betuminosos, é cobrado 4 % ( quatro
por cento ) de IPI, isentando as demais sucatas, quase como se o Governo Federal deseja-se
impedir a reutilização do plástico no processo industrial.
Queremos com esta abordagem demonstrar que precisamos encarar o Lixo, como uma
oportunidade de negócios e não como um problema insolúvel, e o mais importante, esta
abordagem serve tanto para o Lixo domiciliar como para o Lixo Industrial, que na maioria
das vezes é matéria prima mal utilizada e desperdiçada, sendo outra vez uma excelente
oportunidade de negócios que estamos desprezando.
São Paulo, 4 de Setembro de 2000
Ana Flores |