Projeto da Unesp em Jaboticabal incentiva reciclagem de buchas usadas

O que fazer com uma bucha velha de cozinha? Renata Dozzi Tezza também jogava no lixo. Sem saber o que fazer como o resíduo, que pode demorar até 400 anos para se decompor, Renata descobriu uma empresa que pagava dois centavos por cada bucha usada.

Só que, para começar, era preciso juntar pelo menos 65 buchas. Renata é coordenadora de sistemas do Centro de Recursos Biológicos da Unesp, a Universidade Estadual Paulista, em Jaboticabal, no interior de São Paulo. Ela levou a proposta para a universidade e criou um mutirão permanente para coleta de buchas usadas na instituição.

Da universidade, a campanha de reciclagem ganhou a pequena cidade de Jaboticabal. Com cerca de 70 mil habitantes, hoje a cidade responde por quase 20% de todas as buchas recicladas no estado de São Paulo. Em um ano e meio foram retiradas do meio ambiente mais de 11 mil esponjas de cozinha.

O projeto de dar nova vida a buchas usadas é tocado por uma empresa especializada em reciclagem. A tecnologia e a logística tem apoio de uma das principais fabricantes de esponjas no mundo. Diferente de outros resíduos, a reciclagem de esponjas custa caro e, por isso, até então não eram consideradas material viável para reciclar, como explica Renata Ross, gerente de relacionamento da Terracycle Brasil, empresa responsável pelo projeto.

O dinheiro arrecadado com a coleta é destinado para instituições sem fins lucrativos. A estimativa é de que no Brasil sejam consumidas cerca de 360 milhões de esponjas por ano. E qualquer pessoa no país pode se inscrever no projeto de coletar buchas usadas.

Reciclagem de carros cresce no Brasil

O que acontece com um carro quando ele chega ao fim de sua vida útil? Esqueça aquela ideia de ferro-velho cheio de carcaças enferrujadas. A reciclagem automotiva está ganhando espaço no Brasil e isso é uma boa notícia porque, dos 35 milhões de carros em circulação no país, estima-se que mais da metade já esteja próxima da aposentadoria.

A ideia de desmontar e reaproveitar as peças dos carros velhos não é nova, contudo a atividade foi regulamentada apenas em 2014, com a implementação da Lei do Desmanche no estado de São Paulo. De acordo com a legislação, todas as empresas de desmonte de carros têm que ser credenciadas no Detran e na Secretaria da Fazenda, e apenas os desmanches cadastrados podem vender peças de reúso para o consumidor final.

Em operação desde 2014, a Renova Ecopeças, empresa de reciclagem automotiva do Grupo Porto Seguro, é responsável pelo desmonte dos veículos irrecuperáveis que chegam à seguradora. O processo, que demora cerca de três horas, é dividido em sete etapas, que vão da análise completa da documentação do veículo até a descontaminação, destinação ambientalmente responsável dos resíduos potencialmente lesivos à natureza, separação das peças de acordo com seu estado e aplicação dos sistemas de rastreamento necessários para a revenda.

A intenção é garantir a procedência dos materiais que podem ser resgatados de uma operação de reciclagem. E eles são muitos. Dependendo do estado do carro, 85% das peças podem ser reaproveitadas para reposição. O preço chega a ser um quinto do valor de uma peça nova. Itens como plásticos, vidros, óleos, pneus e metais, que correspondem a cerca de 10% de um veículo, podem ainda ser reciclados, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa e o consumo de recursos naturais para fabricação de produtos novos. Apenas 5% do carro, portanto, é descartado.

O processo adotado pela Renova é semelhante ao de países em que a reciclagem já é uma prática comum, como na Argentina, no Japão e nos Estados Unidos, onde 95% dos carros que saem de circulação são reciclados. Por enquanto, apenas 1,5% da frota brasileira passa por esse processo, mas há espaço para a atividade crescer.

A regulamentação da desmontagem e utilização das peças de reúso com garantia de procedência lícita já começou a interferir positivamente na economia. O mercado de seguros, por exemplo, homologou recentemente uma apólice mais barata que permite a utilização de peças provenientes de empresas de desmanche cadastradas no Detran conforme a legislação. Além do incentivo financeiro para o aproveitamento de peças de reúso, é uma oportunidade de inclusão securitária, uma vez que apenas 30% da frota do país é segurada. Por contribuir para o meio ambiente e para o bolso do consumidor, o descarte responsável é um processo em que todos saem ganhando.